quinta-feira, 16 de abril de 2009

Trocas que o latim dá.

Ontem, a convite do meu sogro, acabei por ir usufruir de um repasto: dourada assada.
Eu sei que ia para o covil do lobo, mas aceitei: o FCP jogava contra a equipa maravilha do mundo, e a cor assemelha-se ao SLB; então estaria em minoria, mas sem problemas.
Bom, mas fundamentalmente, o que me levou a ir, foi a dourada escalada grelhada (a filhota diz ter graça por rimar com três palavras seguidas); numa observação científica mais apurada, ainda tentei ver se era de viveiro, ou do alto mar, como me ensinou a parceira de AHST, mas sinceramente com a fome alarva que estava, nem deu para saber. Adiante!
A garfadas tantas, a campainha tocou; o pequenito, bem mandado, corre em direcção á porta, e com a formalidade atrapalhada do bem receber, abre a porta, palreando um rasgado e divertido “Olá!”: um casal emigrante, amigos vizinhos do meu sogro, que usufruem da amizade e do calor da lareira, nesta noite tempestuosa. A televisão descarrega publicidade para os sofás. Saudações, cumprimentos, larguras, e …
“Vai um café?”, comenta o sogro para o amigo, …”e tenho aqui uma pomada! (se é, porque eu já provei) Vamos ver o resto do jogo!” … eu continuo á mesa, a afogar pão torrado no resto de azeite, que ainda sobra no prato, e a deliciar uma pinga dum agricultor local… “para ver se baixam a gola que têm!”, penetrou-me a afirmação, cortando a hora do deleite e degustação de tão rústicos sabores… Ainda me virei para trás, olhei para o amigo emigrante e segui a trajectória do dedo indicador, que acusava os jogadores. Deixa-me ver: gola... ora bem: gola… olhei, pesquisei, e cheguei á conclusão… este equipamento não tem gola. O amigo emigrante deve estar vesgo. Há casos que a gola da camisa não está direita, ou então está mal passada; mas neste caso concreto não têm gola nenhuma… Olho para a esposa; ela ri e repete á amigo emigrante: “Gola! Mais nada…” Um sentido de arremesso contra o vigor nacional: são portugueses gaita!
… E agora vem o flash! Volto a ir pescar o dicionário de francês português, versão emigrante: Gueule – goela – gola; Ok! Gola – camisa – pescoço – goela = gola. Trocas que o latim, suavemente efectuou com o passar dos séculos, guerras e civilizações, e os nossos emigrantes sabia e negligentemente souberam aproveitar.
Estes emigrantes. Uiiiii!

Aprende que eu não duro para sempre…

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