terça-feira, 14 de abril de 2009

Abominável Hulk!

Veio a Páscoa, os doces, os folares (a nota no envelope), o cabrito assado, a roupa domingueira a estreiar, o receber os afilhados, o dia de sol envergonhado, a reunião de família, ... enfim, a tradição pascal.
Seguimos o protocolo normal: aguardar pelos afilhados, dar e receber dois dedos de conversa, saborear os doces a entremear os diálogos, um licor que acompanha o gelo dos dias, e o enfartamento do que passamos a curta distância.
Os filhotes rejubilam, com as prendas que vêm para além do Natal e aniversários: o folar (uns €uros num envelope, e não o tradicional bolo, com ovos cozidos, que para mim servia muito bem, com uma pitada de sal e pimenta); uma roupa nova; umas amêndoas com cobertura tipo francês, tipo português, de chocolate, de não sei quê...; e ultimamente uns ovos enormes de chocolate(tamanho avestruz) , de uma marca conceituada, que começa com um "K" e termina num "r", tendo no meio a palavra "inde", que apregoa ter o melhor chocolate (isso é verdade), e um presente que não decepciona. Bem quanto ao presente, é tipo sorteio; nos anos anteriores, tinha sido sorteado com uns peluches e umas bolas (decepção), mas este ano a sorte bafejou três jogos completamente diferentes; manuais de utilização ou regras do jogo hiper mega reduzidos com imagens que ninguém percebe ou que não chega lá ao sentido do jogo e da montagem, e as respectivas peças de montagem; tudo isto numa carapaça plástica. Ajudei a filhota, com a minha paciência de Job, a montar e a perceber os três jogos.
Esfregamos as mãos; brilhos no olhar; mandamos peças ao chão; gritos de alegria; montar o jogo novamente; voltar a desfazer; risadas e galhofas; ...
"Pai!" sussurradamente, "olha o mano!" e diante de mim, em cima duma cadeira apoiando-se na mesa, o pequenote tentava unir as duas carapaças plásticas, com as feições de um esforço tremendo de esmagar capacetes como se fosse o abominável Hulk. Rimos; achou piada fez novamente; ...
No final, antes da caminha, a prova final do dia: o arrumar. Bem que procurei algum tipo de contacto directo, uma linha verde ou azul, de alguém que me pudesse explicar, o como voltar a arrumar tudo dentro de uma, agora, minúscula embalagem plástica amarela. Daí, pensei como se volta a colocar uma gema e clara de ovo, dentro do invólucro calcário, a casca; não se coloca, usa e deita fora. Ok! Talvez á pancada. Dito e feito, com jeitinho, pancada aqui, pancadinha ali, o invólucro selou: "clic!"
Finalmente, posso ir dormir....

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