sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Um novo ... jogo.

Dou as ultimas cachimbadas, ... coço a barba de cinco dias ...
A cadeira balouça á orla do horizonte, ...
Anoitece ...
Aguardo a chegada do novo intruso ...
Um chá verde dos Açores que fumega, umas bolachas de canela com leve aroma a gengibre, ... beberico uma golada, ...
Arrepanho a manta de retalhos, que me aquece as pernas ...
... já o ouço ao longe ... ele aí vem! ... mais uma baforada.
"Adeus! Até nunca mais!" diz-me o parceiro, levantando-se, e desprotegendo o rei ...
"Xeque-mate!" num aperto de mão cansado.
"Foi um bom desafio. Alguma luta, sofrimento, recuos e alegrias. O próximo que virá, será um bom partido!" fechando a porta atrás de si, surrateiro ...
Carrego o cachimbo que já se apagou, ... calmamente, que não há pressa.
Antevejo, que o próximo, não será fácil ...
Recoloco as peças no tabuleiro, ... acendo o cachimbo, ... estou pronto!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Unique!

A noite chegou, e o afoito também: o preparar da janta, o pôr da mesa, o atiçar do lume, o pôr a converseta em dia, o preparar dos últimos doces, o abrir da "pinga da boa", o pôr a brincadeira no dia certo, ... o alarido da véspera de Natal.
E há momentos e momentos ... o abrir dos presentes. É claro que só os filhotes participam, mas mesmo assim é uma alegria de um momento que se expande por dias e dias. Compensa tudo!
A reacção do grandão, foi o momento para todos, em que sorrimos e rimos, e aquecemos os nossos corações;  especialmente a sua estupefacção, ao rasgar do papel de lustro, e o momento que abriu toda a sua boca em espanto, com o queixo totalmente caído, e arregalando os olhos, ... apeteceu-me dizer: "unique!" só para enfadar, ... mas salvei o momento para mim.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Sentir, o que sentem

O grandão adoeceu, ... quem corre, salta e ginga, ... de repente pára.
... ficamos de rastos, e arrasados, sem saber o que fazer, supondo o que nos vem á cabeça ... chorando, olhando-nos no olhar, ao menino que resta, indefeso.
Sentimos o que passa na alma de amigos, que não conseguem socorrer uma maleita que seja, aos seus rebentos.
Contudo estamos, esperamos e cuidamos, com caldos, mezinhas e mimos ... e ao final, depois da tempestade, a bonança, o riso, o salto, o abraço, o beijo, o sorriso ... compensa.

Carta ao Menino Jesus ...

Do Canto de Cá
Véspera de Natal

Caro Menino Jesus!
Espero que te encontres de saúde.
A esta hora, á última é claro, venho pedir-te que encaminhes este meu desejo.
Não que eu seja um pedinchas, e nem sequer exijo que trabalhes em demasia; mas certamente conseguirás encontrar um cantinho para transportar nessa tua grande compreensão, que puxas pelo manto celestial nessa bela noite da véspera de Natal.
É claro que a boa vontade, a ternura e a bondade, de mãos dadas com o consumismo e a hipocrisia, que se esbanja na abundância das vitrinas, nos acompanha nesta época, e rápido se esquecerá; mas para este ano, contudo ... queria que me encaminhasses somente este presente, para que colocado em cada coração, prevaleça: um abraço, ... aos amigos que nos ajudam, aos filhos dos amigos que brincam, aos nossos pais que nos adoram, aos nossos avós que nos mimam, aos nossos primos, tios e familiares que nos saúdam, aos nossos irmãos que nos amparam, aos filhotes que crescem, à esposa que adoro, ... e não me quero esquecer também dos desamparados, dos tristes, dos sem abrigo, dos doentes, dos solitários, ... de todos sem excepção, porque, ...  e acho que concordas comigo, todos merecem um abraço no Natal, que é quando o homem quiser, mas por mim continua a ser todos os dias.
Espero que o deixes a todos, ... em caixa pequena de cor de agradecimento, e com laço de amor ...

Sei que não te poderei pagar tamanha tarefa, ... mas obrigado.

Um abraço do Canto de Cá ...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Passeio de ... Natal

Não sei quem estaria mais ansioso: se nós, se ele. Nós, pela primeira vez, que iria numa aventura, sem acompanhamento parental; ele ... talvez pela primeira vez, de ir em grupo com a escolinha, até á dita cidade do Pai Natal.
Enterrado no seu travesseiro, a alvorada soou, e a predisposição de acordar manteve-se, ... ; tivemos que puxar um pouco pela imaginação, para o relembrar da visita de estudo (lúdica). A filhota e a mãe, ajudaram-me a espevitá-lo, e a deixar definitivamente o sono na cama ... Lavado, vestido, repasto tomado e agasalhado de quentinho, seguiu para aguardar pela boleia ... mostrei ser forte, mantendo a alegria matinal, até chegar ao Jardim de Infância, ... o "carro grande" aguardava junto ao passeio do largo da Junta.
Deu-me a mão, e descemos a pé a calçada, com o vapor da nossa expiração, ... mantinha-se um pequeno rebuliço junto á entrada do Jardim, ... pais que se despediam, educadores que enfiavam barretes de Natal identificados com a escola, miúdos que se riam ansiosos, ... um formigueiro em alvoroço. Ele chegou crédulo, e ... deixou-me ali estagnado á entrada, misturou-se entre os miúdos, ... "tchau! Diverte-te!" gesticulando um adeus solitário ... penso que não reparou; já estava diluído, no meio de outros pequenos barretes. Hoje não dava a habitual beijoca, ladeado do característico abraço. Saí um pouco tristonho ...
Ao sair, um homem de pequena estatura, calvo de coroa como um dominicano, de camisola cinza rato em bico, colarinho branco, gravata azul astral, sapato preto engraxado, calça de fazenda, barba desfeita do dia, abeirou-se de mim educado e profissionalmente: " Desculpe! É para sair daqui?" Percebi o que dizia, frisando o olho de dúvida ... "O Passeio? É sim!" acenei ... "É que há mais Marias na terra!" afirmou rindo-se de alívio.
...
Fui buscá-lo, após contacto dos educadores ... vinha sossegado, como se nada se tivesse passado, esbanjando a bonança. "... e então gostaste?" tentei arrancar-lhe, para desbloquear a minha ansiedade, ... "Sim!" num tom pouco indiferente.
Puxando aos poucos a meada, lá foi desenrolando, mas só no essencial e objectivamente ... resumia-se mais a "vi bolinhas de neve, ... vi o Pai Natal ... vi duendes que punham cabeças a duendes" ... espera lá; ... eu já acreditava em tudo de mais mirabolante em festas, festejos e festividades, desde que vi "Nightmare before Christmas", apesar de um pouco macabro, mórbido, fantástico e brilhante ... mas isto de trocar cabeças na aldeia do Natal ... só aquelas criaturinhas.
O pessoal já não deve ter é cabeça, para esta ocasião, com tantos pedidos que atravessam esta crise, e então levam á letra a expressão de "quem me dera trocar de cabeça".