quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Passeio de ... Natal

Não sei quem estaria mais ansioso: se nós, se ele. Nós, pela primeira vez, que iria numa aventura, sem acompanhamento parental; ele ... talvez pela primeira vez, de ir em grupo com a escolinha, até á dita cidade do Pai Natal.
Enterrado no seu travesseiro, a alvorada soou, e a predisposição de acordar manteve-se, ... ; tivemos que puxar um pouco pela imaginação, para o relembrar da visita de estudo (lúdica). A filhota e a mãe, ajudaram-me a espevitá-lo, e a deixar definitivamente o sono na cama ... Lavado, vestido, repasto tomado e agasalhado de quentinho, seguiu para aguardar pela boleia ... mostrei ser forte, mantendo a alegria matinal, até chegar ao Jardim de Infância, ... o "carro grande" aguardava junto ao passeio do largo da Junta.
Deu-me a mão, e descemos a pé a calçada, com o vapor da nossa expiração, ... mantinha-se um pequeno rebuliço junto á entrada do Jardim, ... pais que se despediam, educadores que enfiavam barretes de Natal identificados com a escola, miúdos que se riam ansiosos, ... um formigueiro em alvoroço. Ele chegou crédulo, e ... deixou-me ali estagnado á entrada, misturou-se entre os miúdos, ... "tchau! Diverte-te!" gesticulando um adeus solitário ... penso que não reparou; já estava diluído, no meio de outros pequenos barretes. Hoje não dava a habitual beijoca, ladeado do característico abraço. Saí um pouco tristonho ...
Ao sair, um homem de pequena estatura, calvo de coroa como um dominicano, de camisola cinza rato em bico, colarinho branco, gravata azul astral, sapato preto engraxado, calça de fazenda, barba desfeita do dia, abeirou-se de mim educado e profissionalmente: " Desculpe! É para sair daqui?" Percebi o que dizia, frisando o olho de dúvida ... "O Passeio? É sim!" acenei ... "É que há mais Marias na terra!" afirmou rindo-se de alívio.
...
Fui buscá-lo, após contacto dos educadores ... vinha sossegado, como se nada se tivesse passado, esbanjando a bonança. "... e então gostaste?" tentei arrancar-lhe, para desbloquear a minha ansiedade, ... "Sim!" num tom pouco indiferente.
Puxando aos poucos a meada, lá foi desenrolando, mas só no essencial e objectivamente ... resumia-se mais a "vi bolinhas de neve, ... vi o Pai Natal ... vi duendes que punham cabeças a duendes" ... espera lá; ... eu já acreditava em tudo de mais mirabolante em festas, festejos e festividades, desde que vi "Nightmare before Christmas", apesar de um pouco macabro, mórbido, fantástico e brilhante ... mas isto de trocar cabeças na aldeia do Natal ... só aquelas criaturinhas.
O pessoal já não deve ter é cabeça, para esta ocasião, com tantos pedidos que atravessam esta crise, e então levam á letra a expressão de "quem me dera trocar de cabeça".

Sem comentários: