segunda-feira, 13 de julho de 2009

O piqueno faz anos...

Doid´ano”… disse emproando dois dedos corajosos, desemparceirados e surrentos.
Olhava, calmo, para todos os que estavam na sala. Familiares, amigos, todos juntos para festejar com o piqueno
Um flash, empurrou-me para dois anos antes; numa sala de dilatação, a cavaqueira, rondava umas prováveis férias ás Caraíbas, talvez. Dois amigos enfermeiros, acompanhavam-nos, na solidão da espera… a hora interminável, demorava a passar, …
Ela controlava momentaneamente, as dores da dilatação que iam e vinham progressiva e ritmicamente, … as enfermeiras e parteira, iam e vinham, consultando registos silenciosos. Neste parto, todos os momentos estavam controlados, desde a respiração, ao controlo da dor, até ao focar da força; desta vez decidimos investir numas aulas de preparação para o parto, de modo que entre ambos compreendêssemos, o que estávamos a fazer e sentir.
Na sopra da vela, o escuro atormenta-o, “paiiii!”, corre para o meu colo; levo-o agora confiante, para encher os pulmões e soprar a velita; a irmã ajuda de bom grado…
Depois da epidoral, as dores vão desvanecendo; o aparato agora é maior;… entra o médico de serviço, que brada calçando uma luva, apalpando genitalmente o útero, “o pediatra de serviço, bloco operatório em stand by, a enfermeira …” chegou a hora; o piqueno vai sair… mas algo se passa. Os médicos cochicham entre si. Um dos amigos enfermeiros, tenta descortinar algo entre rumores. O piqueno, com o cotovelo faz pressão contra o cordão umbilical, nesta descida da fase final. Mais uma mexida; … o tempo não passa…
Corre á volta da mesa junto dos amigos, na sua nova prenda: uma “biqueta”. Ri, galhofando das partidas da irmã, … foge, soando de cansaço…
“Tesouras, … pinças, … compressas, … faça só força quando disser!” mexendo num tom imperativo, de quem tem conhecimento da causa. “Está quase! Ele está a mexer-se, … estou a guiá-lo… mais um deslocar, e ….” Num ímpeto não esperado, salta o piqueno, encharcado, chorando um frágil alívio, por tarefa superada, cheirando o antigo lar que o acolheu… Felicitações á parte, tomo um abraço do piqueno e conduzo-o de novo á caminha…
Está cansado; a noite foi uma agitação; aconchega-se no conforto dos braços e descansa a imaginação e brinca nos sonhos; o sorriso sobressai junto á chupeta.
Parabéns, piqueno….

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