domingo, 28 de junho de 2009

Molhar por dentro e por fora

No S. João, ocorreu-nos através da sugestão de um amigo que não pode estar presente (infelizmente por compromisso de agenda), por muito pena dele (e eu sei que sim), de irmos a uma party, mais conhecida por “festa do Zero”. O objectivo é esgotar o stock de líquidos existente da casa. Fim de semana agendado...
Depois do café, de dois dedos de conversa com o Sr. Carranca (vulgo Beirão) e com o Sr. Famous Grouse (vulgo whisky), da troca de novidades, e devidamente aprumados, saímos rumo a dita party.
Chegamos; a fila aparentava ser infindável, … afinal era uma ilusão de óptica. Tomamos o nosso lugar por ordem de chegada, era precioso manter a postura, os armários da entrada assim o exigiam; o som surdamente saia pela entrada; as luzes reflectiam psicadelicamente numa e noutra parede do hall; tomamos folgo, recebemos o ticket, e penetramos no ambiente.
A escuridão era cortada por um ou outro feixe colorido, o flash cintilava ritmicamente ao som da batida e do movimento da trupe. A festa, o trance, fervia efusivamente juvenil. Eu disse juvenil? Era mesmo o termo.
Olhamos uns para os outros! Sem falar sabíamos qual a questão: “Enganámo-nos? Era esta a porta? Não haveria uma escadaria lateral, para pessoas mais velhas?” Dizia-me o amigo: “A média de idades por estarmos hoje aqui, é de 20 anos!” É verdade, e atesto: a média deveria estar entre os 17-18 anos; e já contabilizamos os bartender, dj,s, dançarinas, armários e staff em geral. Seis pessoas naquele instante, alteraram a média em 3 pontos. A juventude está cá dentro, costumamos dizer. Comentamos que a grande parte desta malta, e atenção aquilo que vou dizer, … tem metade da nossa idade.
Dirigimo-nos religiosamente a um bar, para iniciar a epopeia a que nos tínhamos designado. “5 Carrancas, e uma agua oxigenada tingida!” (5 beirões + 1 whisky).
Refrescamos em meia dúzia de golos; e saltamos para o dance-floor. Entramos no espírito da house, tecno, trance, …, saltos, movimentos sincronizados, tectonik, cabeças a abanar, … calor dos corpos, humidade relativa superior á dos trópicos, silvar de euforia, … um ambiente brutal.
Ainda trocamos uns dedos de conversa com alguns alunos de medicina, alunos de informática, alunos …, que supunham sermos seus professores de algumas cadeiras académicas. E que respeito tivemos, … “Dr. Semedo para cá, Drª Queiroz para lá, Drª isto, Dr. Aquilo”! No fim de contas, trocamos algumas palavras, algumas alegrias, alguns passes dessa dança solta elástica em voga (tectonik), alguns saltos em grupo,… Ao final, já os bares estavam esgotados, nós já bebidos e encharcados em suor até ao tutano, as poças de líquidos acumulavam-se aqui e ali, resultado da gula e da humidade suada de tantas bebidas, o staff da casa já se misturava com a multidão que não arredava pé, o som ritmava o final da sessão, com sons mais apoteóticos, adivinhando o fechar do espaço.
Já era dia! Cacimbava, … Saímos, … cansados, alegres pela noitada de arromba, … e com fome, como sempre. Isto de saltar tanto, puxa pelo metabolismo celular. “Vamos carregar baterias!”
Como disse, brutal…

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