terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Sopa da Festa

…” Já têm janta para logo?” disse-me a colega. “É que tenho a sopa, para nós jantarmos.”
Ai a sopa, … é daqueles manjares, em que á moda antiga, nos debruçamos sobre um tacho de terracota, onde repousa um forte repasto para estas alturas do ano.
“Claro que vamos, …” confirmei prontamente, … “o que é necessário levar? Uma pinga, um doce,…?” questionámos… “Nada! Somente um grande apetite, e a vossa companhia:” responderam. E que grande apetite é necessário para esta sopa. Mas nada que não se supere com um pequeno esforço de lambarice, ou gula.
À hora marcada, aparecemos; e finalmente assisti a confecção de tão grandioso repasto.
O segredo secular, que se esconde nas penumbras de uma aldeia de Poiares, ia finalmente ser desvendado, ou não. O tacho repousava borbulhando, a “Chanfana” caseira. Ao lado, retalhava-se pão seco, … outro tacho cozia couve lombarda, cenoura e batata silenciosamente. Aguardava o desfecho da iguaria… o tempo escasseava, e a fome ajudava, … o aroma prevalecia na cozinha, empurrando-me para a dita aldeia, onde uma senhora, prepara uma rica “Chanfana”, misturando a carne da cabra do pasto, com um vinho frutado das encostas do Mondego, o alho, e os segredos de uma vida, …
O pão, era agora acamado sobre a carne e parte do molho, com uma camada de batata, cenoura e couve, … depois novas camadas até gastar todos os ingredientes. Ai que finalizar com uma nova passagem pelo lume, para tudo ganhar o mesmo sabor…
O vinho que repousava na garrafa, corria agora para os nosso copos, preparando-nos para usufruirmos desta Sopa da Festa… pena que um dos amigos estivesse de serviço, porque é mais um dos grandes apreciadores desta iguaria.
A Sopa da Festa, segundo sabemos que nos foi contado, acaba por ser um requentado de uma “Chanfana”; ou seja,... isto em trocos com moedas de 1 cêntimo, após uma “Chanfanada” valente, sobra sempre molho e pequenas quantidades de carne, e nos tempos da outra senhora, a vida não estava para a estragação; os ingredientes mais correntes e básicos do quintal, sempre á mão; e as sobras do pão, proporcionavam a criação de mais uma refeição rica e participativa.
Deixando a modéstia de lado, um pitéu.

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