sexta-feira, 28 de setembro de 2012

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O dia termina, em "luz que fusca", ... o jantar, quase preparado, continua á ordem da filhota, que prima por estar tudo no ponto:
"Prova pai!"  ostentando uma colher de sopa, com alguns bagos de arroz em esplanada solarenga, ... falta duas ou três pedras de sal, ... mas antes assim "em sonço", do que salgado. Confirmo com um au point. um circulo entre o polegar e o acusador.
Coloco a mesa; prato branco raso, garfo á esquerda, faca á direita, copo em cima á direita, um guardanapo acamado sob a faca ... a labuta continua junto á placa vitrocerâmica, ... "O que vai ser o menu?" pergunto tentando averiguar a agitação entre tachos ... "Um arroz branco, e bifinhos de peru grelhados!" disse-me prontamente, e segura das suas intenções.
Sento-me, e o grandão acompanha-me, ... o tacho vem á mesa fumegando, com o conduto na travessa de inox, ... "Vai uma salada, pai?" pergunta, ... retribuo num aceno afirmativo. A taça, a salada, e as devidas proporções de vinagre, azeite, sal e alho, enrolam-se ...
Sirvo todos, empratando numa natureza minimalista fumegante, ... damos inicio ao repasto, ...o tilintar do talher, sobrepõem-se ao silêncio do apetite.
A cavaqueira começa.
" Como foi esse dia?" ... ambos olham para mim, mas ninguém dá o mote ... "Começa tu grandão! Como foi a escola? O que foi o almoço?" Compõe uma pequena crónica ... prendada, compassada, poucos pormenores, floreados á parte ... resumindo ao almoço, lanche, hora da leitura, e passando, de lado a roçar, ás acrobáticas e destemidos números de quedas de bicicleta.
... "e tu filhota?" ... acabava de mastigar; engoliu num segundo ... "Coisas novas pai!"
"Tivemos, na aula de físico-química, a falar de astrofísica!" ... Alto! Pé atrás, marcha a ré, ... Ao dizer-me isto, percebi ... o olhar da  adolescente Dr. Eleanor Arroway, argumentando com o seu pai, protagonizado pelo actor David Morse, a possibilidade de ondas rádio intergalácticas andarem perdidas por esse universo além ...
"Sabias pai, que há estrelas brancas, vermelhas e azuis?" a curiosidade remeteu-me para algo de fantástico, tipo heróinas com poderes coloridos ... "E que a branca é a mais poderosa; e a azul e a vermelha é o inverso das torneiras?" bloqueei. Como? esbati no rosto
"A estrela vermelha é fria, menos poderosa; a azul é quente, mais poderosa!" o queixo pensou em cair-me da sua mandíbula ... O efeito Carl Sagan, inebriava o momento do jantar...
A dissertação continuava: os astros, a via láctea, Cassiopeia  Estrela Polar, ... o jantar findava. O brilho continuava a emanar, e eu ... surpreendido!

3 comentários:

tata disse...

É verdade! a nossa menina está uma adolescente e muito responsável.
Espero confiar, e ter muito orgulho nela.
Adoro-te filhota!!!

Briseis disse...

Que bela cena partilhaste connosco! É uma cena tão quotidiana mas (ou talvez, "por isso") tão subestimada...

Nilson Barcelli disse...

O diálogo à mesa é uma boa prática e devia ser obrigatória em todos os lares.
Resolvem-se, por antecipação na sua abordagem, ainda que o possa ser feito indirectamente, muitos dos problemas e riscos no futuro.
É o local ideal, por outro lado, para transmitir valores.
Mas também podemos aprender com os filhos...
Gostei muito do texto, do seu conteúdo.
Um abraço, caro amoigo.