O dia termina, em "luz que fusca", ... o jantar, quase preparado, continua á ordem da filhota, que prima por estar tudo no ponto:
"Prova pai!" ostentando uma colher de sopa, com alguns bagos de arroz em esplanada solarenga, ... falta duas ou três pedras de sal, ... mas antes assim "em sonço", do que salgado. Confirmo com um au point. um circulo entre o polegar e o acusador.
Coloco a mesa; prato branco raso, garfo á esquerda, faca á direita, copo em cima á direita, um guardanapo acamado sob a faca ... a labuta continua junto á placa vitrocerâmica, ... "O que vai ser o menu?" pergunto tentando averiguar a agitação entre tachos ... "Um arroz branco, e bifinhos de peru grelhados!" disse-me prontamente, e segura das suas intenções.
Sento-me, e o grandão acompanha-me, ... o tacho vem á mesa fumegando, com o conduto na travessa de inox, ... "Vai uma salada, pai?" pergunta, ... retribuo num aceno afirmativo. A taça, a salada, e as devidas proporções de vinagre, azeite, sal e alho, enrolam-se ...
Sirvo todos, empratando numa natureza minimalista fumegante, ... damos inicio ao repasto, ...o tilintar do talher, sobrepõem-se ao silêncio do apetite.
A cavaqueira começa.
" Como foi esse dia?" ... ambos olham para mim, mas ninguém dá o mote ... "Começa tu grandão! Como foi a escola? O que foi o almoço?" Compõe uma pequena crónica ... prendada, compassada, poucos pormenores, floreados á parte ... resumindo ao almoço, lanche, hora da leitura, e passando, de lado a roçar, ás acrobáticas e destemidos números de quedas de bicicleta.
... "e tu filhota?" ... acabava de mastigar; engoliu num segundo ... "Coisas novas pai!"
"Tivemos, na aula de físico-química, a falar de astrofísica!" ... Alto! Pé atrás, marcha a ré, ... Ao dizer-me isto, percebi ... o olhar da adolescente Dr. Eleanor Arroway, argumentando com o seu pai, protagonizado pelo actor David Morse, a possibilidade de ondas rádio intergalácticas andarem perdidas por esse universo além ...
"Sabias pai, que há estrelas brancas, vermelhas e azuis?" a curiosidade remeteu-me para algo de fantástico, tipo heróinas com poderes coloridos ... "E que a branca é a mais poderosa; e a azul e a vermelha é o inverso das torneiras?" bloqueei. Como? esbati no rosto
"A estrela vermelha é fria, menos poderosa; a azul é quente, mais poderosa!" o queixo pensou em cair-me da sua mandíbula ... O efeito Carl Sagan, inebriava o momento do jantar...
A dissertação continuava: os astros, a via láctea, Cassiopeia Estrela Polar, ... o jantar findava. O brilho continuava a emanar, e eu ... surpreendido!
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Aaaaaaaaaaaaaaaah!
No ermo do campo, vejo dois lugares junto, á beira, do resguardo da sombra, ... um abastado sobreiro. Azedas agarram as cadeiras e, pelo campo as sombras vão esgotando, ... convido a moça de olhos amêndoa mel, que raiam de verde ao sol. Acompanha-me: recostamo-nos ... aaaaaaaaaaaaaaaah!
Supositório nuclear
E agora os submarinos para que servem? Ham?
Para encher de água, ou para sobrevoar o verdadeiro inimigo, a crise que nos assola?
Ou eventualmente em dias de febre política, utilizá-los como supositório, para alguns atores políticos?
Aí está a verdadeiro objectivo do negócio; ainda por cima, um vaso daqueles com propulsão nuclear, dava na certa para rentabilizar uns milhares de profissionais, uns milhares de refeições, uns milhares de livros, ...!
Há pessoal a pagar bem por nuclear...
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Cabummmmmmmmm!
Que a coisa esteve quase a arrebentar com a caixa!. Estava a ver que tinha que enfiar pela goela abaixo, bolor do pão, para tratar do mal pela raiz. A poção druida, de queimar aguardente com açúcar amarelo, e suar que nem um boi, numa tarde de lavoura estival, torna-se eficaz. Já está.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Etapas...
Tudo se faz e desenrola,... com calma ou sem a paciência para a ter... tenho visto! A tramitação normal do 2 mais 2 serem quatro, é de sabedoria popular, a não ser que Einstein interfira! As fases e etapas vão surgindo... mas esta deixou-me... boquiaberto.
"Pai! Quero andar de bicicleta!" pediu-me o grandão, ... consenti, mas impus uma condição: "Já é altura de retirar as rodas de apoio, não achas?" acenou meticuloso.
De chaves em punho, observou-me a remover a separação do potencial elo de segurança.
Subiu ao selim incrédulo, ... "Ajudas pai?"
Agarrei firmemente o selim e o volante, passando o ensinamento essencial de algumas normas de bem pedalar. Ouviu, mas a impaciência já emanava pelo ar: "Empurra!"
"Pedala, e olhar em frente, sempre! As rodas não caem!"
O grandão assentiu, mas receoso parou ... uma, duas, oito vezes, ... "uma causa perdida, agora!" pensei retirando-me ... "Amanhã, voltamos a tentar!" ...
"Eu fico, pai!"
Recolhi-me a casa, que o anoitecer já se tecia no horizonte...
...
O prenúncio da noite, já se sentia, e o luz que fusque impunha-se... lancei um olhar pela janela para procurar o grandão, que tardava em recolher-se ao ninho.
Um vulto remexia-se de um lado para o outro, ... mas será que... ?
Sim! Era o grandão, que encetava força e genica em cima da pequena bicicleta, determinantemente de um lado para o outro, sem qualquer ajuda, equilibrando-se "qual acrobata sobre a corda bamba"...
Língua de fora, capacete laço, semi curvado sobre o volante, e pernas pingadas de surro e exaustão. Viu-nos de cara arregalada, ... uma benesse. Enviou-nos um sorriso de tudo dito!
"Foi fácil, pai! Viste..."
"Pai! Quero andar de bicicleta!" pediu-me o grandão, ... consenti, mas impus uma condição: "Já é altura de retirar as rodas de apoio, não achas?" acenou meticuloso.
De chaves em punho, observou-me a remover a separação do potencial elo de segurança.
Subiu ao selim incrédulo, ... "Ajudas pai?"
Agarrei firmemente o selim e o volante, passando o ensinamento essencial de algumas normas de bem pedalar. Ouviu, mas a impaciência já emanava pelo ar: "Empurra!"
"Pedala, e olhar em frente, sempre! As rodas não caem!"
O grandão assentiu, mas receoso parou ... uma, duas, oito vezes, ... "uma causa perdida, agora!" pensei retirando-me ... "Amanhã, voltamos a tentar!" ...
"Eu fico, pai!"
Recolhi-me a casa, que o anoitecer já se tecia no horizonte...
...
O prenúncio da noite, já se sentia, e o luz que fusque impunha-se... lancei um olhar pela janela para procurar o grandão, que tardava em recolher-se ao ninho.
Um vulto remexia-se de um lado para o outro, ... mas será que... ?
Sim! Era o grandão, que encetava força e genica em cima da pequena bicicleta, determinantemente de um lado para o outro, sem qualquer ajuda, equilibrando-se "qual acrobata sobre a corda bamba"...
Língua de fora, capacete laço, semi curvado sobre o volante, e pernas pingadas de surro e exaustão. Viu-nos de cara arregalada, ... uma benesse. Enviou-nos um sorriso de tudo dito!
"Foi fácil, pai! Viste..."
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Made in 1972 ...
Olho para o interior, … novo a brilhar, o cheiro ainda da
fabrica, … modesto, a telefonia ao centro, o espelho ao cimo, manómetros
cravados no “tablier”, bancos estufados e costuras brancas salientes, ... tudo
no seu devido lugar.
Os vendedores, na casa dos 26 e dos 24 anos, um casal simpático,
que não impingem nada: simplesmente a verdade… “Depósito atestado, chave e
documentos!”
Marca Life, …
modelo “int.Enta.m” … 0 anos.
Abro a porta, acomodo-me, … giro a manete do vidro que desce, escondendo-se na porta, … procuro o canhão,
insiro e rodo a chave, e … o motor obedece. Os cilindros galopam, … carrego
duas vezes no acelerador, o turbo assobia desgovernado, o motor sincroniza a
potência e a força. A telefonia emite uma indefinição de sintonização, …
Engato a primeira, e o carro arrasta-se para fora do stand:
coloco os Diesel de lentes verdes, para
me proteger do sol … e sigo.
O caminho apresenta-se um pouco em mau estado, mas vou-me
desviando … os kms vão se sucedendo vagarosamente, … a paisagem vai passando
numa mistura de vivências; uma lomba que me catapulta num salto, entrando
noutra região… sobrevivo.
Ao km 18, uma bifurcação; encosto á berma, … desligo o
motor; saio do carro e pondero as duas indicações: “Sacerdócio” ou “Marido e Pai”? Coço a cabeça,
… consulto o mapa, … as vias não aparecem cartografadas. Decido deixar a via “Seminarista”,
e sigo a “Marido e Pai”. Chuva, vento e trovoada, mas a viatura aguenta. Ainda
penso em voltar atrás… mas sigo.
Paro numa estação de serviço solitária. O reclame tilinta ao
som do néon: “Carpe Diem”. Entro no pequeno café, iluminado a fluorescente, ao
som de um pequeno sino que sinaliza o único cliente; sento-me: “O que deseja?” pergunta
uma voz que vem, julgo eu da copa, … olho para uma ardósia negra, que enumera
os vários pratos e bebidas. “Um simbalino
, e uma fatia de tarde de maçã, com uma bola de gelado de baunilha, se faz
favor!” digo para o vazio. O tilintar da porta volta a ecoar… ouço os passos de
uma moça que, ocupa o lugar ao meu lado, … “Olá! Posso me sentar aqui ao teu
lado?” colocando uns livros sobre o balcão … “Posso dar uma trinca na tarte?” iniciando
a conversa que se arrasta pelo tempo, á nossa volta … prontifico-me em dar-lhe
uma boleia, para não deixar a conversa solta. Deixo as moedas sobre o balcão, e
o prato vazio.
Seguimos … a conversa, vai boa e acompanha o tempo, clareando o horizonte. Passamos junto ao mar, só para sentir a brisa salgada. Ela ri-se ... voltamos á via.
Os dias de sol, vão acompanhando as longas searas de trigo verdejante; cruzamos
por amigos que nos encaminham, e orientam pela via lactea: “mandaremos postais!”,
dizemos continuando e agradecendo...
O carro já está mais composto, … duas lindas crianças ocuparam
os bancos de trás. A moça de olhar amêndoa mel, que raia de verde ao sol,
continua ao meu lado, no seu vestido castanho retro, de padrão azul vintage
quadriculado. Os amigos continuam a receber e a enviar postais desta minha
jornada.
Entro na região de Enta; um ligeiro nevoeiro que se levanta:
dou uma sapatada no pedal, e o carro rosna sem medo, acatando a minha ordem…,
rasgando a via.
Km 40: que bela viagem e que boa companhia…
Subscrever:
Mensagens (Atom)





