quinta-feira, 5 de julho de 2012
Cabummmmmmmmm!
Que a coisa esteve quase a arrebentar com a caixa!. Estava a ver que tinha que enfiar pela goela abaixo, bolor do pão, para tratar do mal pela raiz. A poção druida, de queimar aguardente com açúcar amarelo, e suar que nem um boi, numa tarde de lavoura estival, torna-se eficaz. Já está.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Etapas...
Tudo se faz e desenrola,... com calma ou sem a paciência para a ter... tenho visto! A tramitação normal do 2 mais 2 serem quatro, é de sabedoria popular, a não ser que Einstein interfira! As fases e etapas vão surgindo... mas esta deixou-me... boquiaberto.
"Pai! Quero andar de bicicleta!" pediu-me o grandão, ... consenti, mas impus uma condição: "Já é altura de retirar as rodas de apoio, não achas?" acenou meticuloso.
De chaves em punho, observou-me a remover a separação do potencial elo de segurança.
Subiu ao selim incrédulo, ... "Ajudas pai?"
Agarrei firmemente o selim e o volante, passando o ensinamento essencial de algumas normas de bem pedalar. Ouviu, mas a impaciência já emanava pelo ar: "Empurra!"
"Pedala, e olhar em frente, sempre! As rodas não caem!"
O grandão assentiu, mas receoso parou ... uma, duas, oito vezes, ... "uma causa perdida, agora!" pensei retirando-me ... "Amanhã, voltamos a tentar!" ...
"Eu fico, pai!"
Recolhi-me a casa, que o anoitecer já se tecia no horizonte...
...
O prenúncio da noite, já se sentia, e o luz que fusque impunha-se... lancei um olhar pela janela para procurar o grandão, que tardava em recolher-se ao ninho.
Um vulto remexia-se de um lado para o outro, ... mas será que... ?
Sim! Era o grandão, que encetava força e genica em cima da pequena bicicleta, determinantemente de um lado para o outro, sem qualquer ajuda, equilibrando-se "qual acrobata sobre a corda bamba"...
Língua de fora, capacete laço, semi curvado sobre o volante, e pernas pingadas de surro e exaustão. Viu-nos de cara arregalada, ... uma benesse. Enviou-nos um sorriso de tudo dito!
"Foi fácil, pai! Viste..."
"Pai! Quero andar de bicicleta!" pediu-me o grandão, ... consenti, mas impus uma condição: "Já é altura de retirar as rodas de apoio, não achas?" acenou meticuloso.
De chaves em punho, observou-me a remover a separação do potencial elo de segurança.
Subiu ao selim incrédulo, ... "Ajudas pai?"
Agarrei firmemente o selim e o volante, passando o ensinamento essencial de algumas normas de bem pedalar. Ouviu, mas a impaciência já emanava pelo ar: "Empurra!"
"Pedala, e olhar em frente, sempre! As rodas não caem!"
O grandão assentiu, mas receoso parou ... uma, duas, oito vezes, ... "uma causa perdida, agora!" pensei retirando-me ... "Amanhã, voltamos a tentar!" ...
"Eu fico, pai!"
Recolhi-me a casa, que o anoitecer já se tecia no horizonte...
...
O prenúncio da noite, já se sentia, e o luz que fusque impunha-se... lancei um olhar pela janela para procurar o grandão, que tardava em recolher-se ao ninho.
Um vulto remexia-se de um lado para o outro, ... mas será que... ?
Sim! Era o grandão, que encetava força e genica em cima da pequena bicicleta, determinantemente de um lado para o outro, sem qualquer ajuda, equilibrando-se "qual acrobata sobre a corda bamba"...
Língua de fora, capacete laço, semi curvado sobre o volante, e pernas pingadas de surro e exaustão. Viu-nos de cara arregalada, ... uma benesse. Enviou-nos um sorriso de tudo dito!
"Foi fácil, pai! Viste..."
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Made in 1972 ...
Olho para o interior, … novo a brilhar, o cheiro ainda da
fabrica, … modesto, a telefonia ao centro, o espelho ao cimo, manómetros
cravados no “tablier”, bancos estufados e costuras brancas salientes, ... tudo
no seu devido lugar.
Os vendedores, na casa dos 26 e dos 24 anos, um casal simpático,
que não impingem nada: simplesmente a verdade… “Depósito atestado, chave e
documentos!”
Marca Life, …
modelo “int.Enta.m” … 0 anos.
Abro a porta, acomodo-me, … giro a manete do vidro que desce, escondendo-se na porta, … procuro o canhão,
insiro e rodo a chave, e … o motor obedece. Os cilindros galopam, … carrego
duas vezes no acelerador, o turbo assobia desgovernado, o motor sincroniza a
potência e a força. A telefonia emite uma indefinição de sintonização, …
Engato a primeira, e o carro arrasta-se para fora do stand:
coloco os Diesel de lentes verdes, para
me proteger do sol … e sigo.
O caminho apresenta-se um pouco em mau estado, mas vou-me
desviando … os kms vão se sucedendo vagarosamente, … a paisagem vai passando
numa mistura de vivências; uma lomba que me catapulta num salto, entrando
noutra região… sobrevivo.
Ao km 18, uma bifurcação; encosto á berma, … desligo o
motor; saio do carro e pondero as duas indicações: “Sacerdócio” ou “Marido e Pai”? Coço a cabeça,
… consulto o mapa, … as vias não aparecem cartografadas. Decido deixar a via “Seminarista”,
e sigo a “Marido e Pai”. Chuva, vento e trovoada, mas a viatura aguenta. Ainda
penso em voltar atrás… mas sigo.
Paro numa estação de serviço solitária. O reclame tilinta ao
som do néon: “Carpe Diem”. Entro no pequeno café, iluminado a fluorescente, ao
som de um pequeno sino que sinaliza o único cliente; sento-me: “O que deseja?” pergunta
uma voz que vem, julgo eu da copa, … olho para uma ardósia negra, que enumera
os vários pratos e bebidas. “Um simbalino
, e uma fatia de tarde de maçã, com uma bola de gelado de baunilha, se faz
favor!” digo para o vazio. O tilintar da porta volta a ecoar… ouço os passos de
uma moça que, ocupa o lugar ao meu lado, … “Olá! Posso me sentar aqui ao teu
lado?” colocando uns livros sobre o balcão … “Posso dar uma trinca na tarte?” iniciando
a conversa que se arrasta pelo tempo, á nossa volta … prontifico-me em dar-lhe
uma boleia, para não deixar a conversa solta. Deixo as moedas sobre o balcão, e
o prato vazio.
Seguimos … a conversa, vai boa e acompanha o tempo, clareando o horizonte. Passamos junto ao mar, só para sentir a brisa salgada. Ela ri-se ... voltamos á via.
Os dias de sol, vão acompanhando as longas searas de trigo verdejante; cruzamos
por amigos que nos encaminham, e orientam pela via lactea: “mandaremos postais!”,
dizemos continuando e agradecendo...
O carro já está mais composto, … duas lindas crianças ocuparam
os bancos de trás. A moça de olhar amêndoa mel, que raia de verde ao sol,
continua ao meu lado, no seu vestido castanho retro, de padrão azul vintage
quadriculado. Os amigos continuam a receber e a enviar postais desta minha
jornada.
Entro na região de Enta; um ligeiro nevoeiro que se levanta:
dou uma sapatada no pedal, e o carro rosna sem medo, acatando a minha ordem…,
rasgando a via.
Km 40: que bela viagem e que boa companhia…
quarta-feira, 9 de maio de 2012
A moça veio da vila...
A moça, pegou no farnel, dobrado num pano quadriculado de algodão, ... um queijo curado, uma broa, ... uma sebenta, um lápis, ... beijou o Toino e fechou a porta da entrada atrás de si.
Foi choro e pranto, ... o Toino, os pais, e amigos. Mas saiu convicta; só pediu dois dedos de paciência. Começava então o Outono... o campo secou, esverdeou, floriu, e voltou em ciclos a secar, esverdear e florir.
Três Invernos passaram, ... os postais chegavam ao ritmo da confiança, impregnados de fé, aromatizados a canela e histórias da grande vila...
"Tudo me ensinou, o que há de mais belo e triste no mundo..." dizia o último postal de cores caleidoscópicas .
Ela queria regressar, com novidades ...
Fiquei alegre e vaidoso, ...vesti o fato domingueiro, a camisa festiva de folhos, a bota cardada, um pouco de colónia sobre o peito, ... agarrei na pasteleira, e desembestado ladeira abaixo, voei até á paragem da camioneta, que chegava então, ... pouca gente nos lugares; ela sozinha saiu ...
Trazia o vestido de padrão castanho vintage e quadrados azul retro, três sebentas, um canudo, uma gerbera branca e os olhos amêndoa mel que raiavam de verde, sob o sol:
"Consegui Toino!"
Apertei-a num beijo: "Eu sabia Tata!"
Foi choro e pranto, ... o Toino, os pais, e amigos. Mas saiu convicta; só pediu dois dedos de paciência. Começava então o Outono... o campo secou, esverdeou, floriu, e voltou em ciclos a secar, esverdear e florir.
Três Invernos passaram, ... os postais chegavam ao ritmo da confiança, impregnados de fé, aromatizados a canela e histórias da grande vila...
"Tudo me ensinou, o que há de mais belo e triste no mundo..." dizia o último postal de cores caleidoscópicas .
Ela queria regressar, com novidades ...
Fiquei alegre e vaidoso, ...vesti o fato domingueiro, a camisa festiva de folhos, a bota cardada, um pouco de colónia sobre o peito, ... agarrei na pasteleira, e desembestado ladeira abaixo, voei até á paragem da camioneta, que chegava então, ... pouca gente nos lugares; ela sozinha saiu ...
Trazia o vestido de padrão castanho vintage e quadrados azul retro, três sebentas, um canudo, uma gerbera branca e os olhos amêndoa mel que raiavam de verde, sob o sol:
"Consegui Toino!"
Apertei-a num beijo: "Eu sabia Tata!"
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Abespinhado
O Bechas, além de pacato, era um bom vizinho... á noite, quando se recolhia consigo mesmo, tocava á desgarrada gaita de foles, para se infernizar a si próprio.
Era um visionário, via mais á frente, ... levantava-se antes dele próprio acordar,...
Tomava sopas de cavalo cansado, para se cansar, ... e assim se desculpar, de passar a manhã encostado ao balcão da taberna do t´Zé Simão, a entornar copos de vinho rasca, com presunto sarnoso.
A pasteleira, oxidada e ferrugenta, já era amestrada, ... a alturas tantas, sabia os cantos onde devia virar, parar, .... apesar do guiador ébrio do Bechas. Parava na mercearia da Ti Quitas, para liquidar o fiado... e trazer feijão, toucinho, broa, ... apregoava da conta estar tão alta.
No decorrer da tarde, logo depois do almoço, da ressaca e da sesta, lia as efemérides do Borda d´Água, ao som do relógio de corda, para queimar o resto da dia... levantava-se repentinamente e azucrinava com o moicho, ... vinha vistoriar o quintal que as silvas e mato, já tinham galgado, ... desatinava com a enxada encostada e desencabada.
A janta, normalmente de bom sustento, cheirava a sopa de feijão com carne gorda, ... na companhia do petromax, duma leiva de broa, do tilintar da colher no prato, e de um agreste vinho de uva farrapilha ... com dois dedos de conversa, resmungava fulo com o lume, da casa estar fria...
Dava uma maquia na gaita de foles, antes de se deitar, ... batia com as portas, danado para descarregar o resto da tensão do dia, ... e já deitado, ressonava.
Não há quem entenda o Bechas
...
Ao dia 30 de Fevereiro, recebia o seu vencimento, no lagar do Juiz: um conto e dezoito notas, na folha de paga, ... sempre a mesma descrição: "Abespinhado 1ª categoria"
Era um visionário, via mais á frente, ... levantava-se antes dele próprio acordar,...
Tomava sopas de cavalo cansado, para se cansar, ... e assim se desculpar, de passar a manhã encostado ao balcão da taberna do t´Zé Simão, a entornar copos de vinho rasca, com presunto sarnoso.
A pasteleira, oxidada e ferrugenta, já era amestrada, ... a alturas tantas, sabia os cantos onde devia virar, parar, .... apesar do guiador ébrio do Bechas. Parava na mercearia da Ti Quitas, para liquidar o fiado... e trazer feijão, toucinho, broa, ... apregoava da conta estar tão alta.
No decorrer da tarde, logo depois do almoço, da ressaca e da sesta, lia as efemérides do Borda d´Água, ao som do relógio de corda, para queimar o resto da dia... levantava-se repentinamente e azucrinava com o moicho, ... vinha vistoriar o quintal que as silvas e mato, já tinham galgado, ... desatinava com a enxada encostada e desencabada.
A janta, normalmente de bom sustento, cheirava a sopa de feijão com carne gorda, ... na companhia do petromax, duma leiva de broa, do tilintar da colher no prato, e de um agreste vinho de uva farrapilha ... com dois dedos de conversa, resmungava fulo com o lume, da casa estar fria...
Dava uma maquia na gaita de foles, antes de se deitar, ... batia com as portas, danado para descarregar o resto da tensão do dia, ... e já deitado, ressonava.
Não há quem entenda o Bechas
...
Ao dia 30 de Fevereiro, recebia o seu vencimento, no lagar do Juiz: um conto e dezoito notas, na folha de paga, ... sempre a mesma descrição: "Abespinhado 1ª categoria"
sexta-feira, 9 de março de 2012
"Plingrafia"
A entrada embica na curvatura do edifício; aro em Moca de Candeeiros, bujardado ao centro, arestas em boleado de baixo relevo; soleira com dois degraus em mármore de Estremoz branco, gasto ao centro pelo uso; duas portas altas, uma aberta, castanhas de carvalho ressequido, ornamentadas com grade em verdete oxidado. Ao fundo, o labirinto de escadas que sobe sem fim á vista, com degraus e espelhos de pinho nórdico, vão de escadas polido em pinho, termina em pata de leão; pouca luz, só a que alimenta a entrada.
Mergulha para o estreito corredor, que afunilado encaminha, obrigatoriamente a subir ao primeiro piso.
O primeiro piso, escuro que nem o breu, centelha uma pálida luz, do vidro fusco martelado do laboratório; apalpa a maçaneta, e roda ... a porta está destrancada, chia e o pequeno sino acusa. Entra. Um pequeno balcão vitrina: molduras vazias, albuns, cartões de festas. Um silêncio e cheiro a livros ressequidos com madeira do soalho, misturam o ar.
Ouve-se ranger o soalho; aparece a figura de meia altura, com alguma calvice, barba e patilhas brancas á ferroviário; óculos redondos de arame; simpático, franzino, fato cinza flanela, camisa engomada branca, e a ressalva de um papillon azul turquesa acetinado em laivos de madre pérola bordeaux na contra luz; sapatos pretos de pé pequeno.
"Bom dia! Bem vindo á Plingrafia! O que o traz por cá?" num cumprimentar de pequena mão pálida que esticava saindo da manga ...
"Bom dia! Um retrato!" confirmou no aperto. Indicou para uma sala, fechada por duas portas basculantes, com vidrinhos cravados em pinho lacado a cinza.
Entram, com o ranger de molas secas; um holofote contra a parede, vislumbra alguma cor sobre um cenário opaco ao canto, as linhas da sala vazia, recheada com cenários enrolados, uma corda de cisala ao outro canto, ... um banco reside só. O kadomax, está pendurado a uma mola-tesoura, ... pouco mais.
"Sente-se!" Acondicionado, ao banco prepara a pose ... "Para que efeito é?" ajeitando o rosto, a postura e o cabelo
"Simplesmente um retrato!" confirma "Para enviar á família, lá para a terra..."
A câmara é dexida; a lente limpa; obturador ajustado á intensidade da pouca luz; o zoom roda e aproxima, e o dedo pressiona o botão... zás, ... o flash dispara por milésimos de segundo, e revela o impensável por instantes, ... que se prolonga por séculos ... uma sala viva e cheia de cores.
"Desculpe! Tive a ligeira impressão de ver um cardápio de cores, pelo tecto e paredes da sala..."
"Impressão sua!" interrompeu mudando o humor "Aguarde um momento!" tira a chapa e leva-a para um canto...
Volta amuado ... "Que raio! Mais uma vez!" apresentando e virando o frame
O modelo olha para o retrato ... "Mas que raio! Porquê só a boca? E este ar zangado?"
O fotografo confessa "Nestes últimos tempos perdi mais que muitos clientes! Não consigo arrancar um sorriso de uma face! E tento, que bem tento! ... e o resultado é sempre o mesmo!"
Sai do banco, e olha melhor e de novo para o retrato, girando e contra girando, e interrompe "Uma questão de perspectiva!"
"Como?"
"Eu sorri, e encantei-me com a sua paleta de cores que esconde!" girando a foto ... "Veja?"
...
"De facto, eu sempre consegui! Ele sempre esteve lá!" dirige-se para a corda e puxa ... a clarabóia aparece, libertando a luz solar pelos vitrais, ... corre freneticamente para as paredes camufladas, de milhares de frames zangados, girando todas as fotos que cobrem as suas paredes do estúdio, uma por uma...
"Ele sempre esteve aqui!"

Mergulha para o estreito corredor, que afunilado encaminha, obrigatoriamente a subir ao primeiro piso.
O primeiro piso, escuro que nem o breu, centelha uma pálida luz, do vidro fusco martelado do laboratório; apalpa a maçaneta, e roda ... a porta está destrancada, chia e o pequeno sino acusa. Entra. Um pequeno balcão vitrina: molduras vazias, albuns, cartões de festas. Um silêncio e cheiro a livros ressequidos com madeira do soalho, misturam o ar.
Ouve-se ranger o soalho; aparece a figura de meia altura, com alguma calvice, barba e patilhas brancas á ferroviário; óculos redondos de arame; simpático, franzino, fato cinza flanela, camisa engomada branca, e a ressalva de um papillon azul turquesa acetinado em laivos de madre pérola bordeaux na contra luz; sapatos pretos de pé pequeno.
"Bom dia! Bem vindo á Plingrafia! O que o traz por cá?" num cumprimentar de pequena mão pálida que esticava saindo da manga ...
"Bom dia! Um retrato!" confirmou no aperto. Indicou para uma sala, fechada por duas portas basculantes, com vidrinhos cravados em pinho lacado a cinza.
Entram, com o ranger de molas secas; um holofote contra a parede, vislumbra alguma cor sobre um cenário opaco ao canto, as linhas da sala vazia, recheada com cenários enrolados, uma corda de cisala ao outro canto, ... um banco reside só. O kadomax, está pendurado a uma mola-tesoura, ... pouco mais.
"Sente-se!" Acondicionado, ao banco prepara a pose ... "Para que efeito é?" ajeitando o rosto, a postura e o cabelo
"Simplesmente um retrato!" confirma "Para enviar á família, lá para a terra..."
A câmara é dexida; a lente limpa; obturador ajustado á intensidade da pouca luz; o zoom roda e aproxima, e o dedo pressiona o botão... zás, ... o flash dispara por milésimos de segundo, e revela o impensável por instantes, ... que se prolonga por séculos ... uma sala viva e cheia de cores.
"Desculpe! Tive a ligeira impressão de ver um cardápio de cores, pelo tecto e paredes da sala..."
"Impressão sua!" interrompeu mudando o humor "Aguarde um momento!" tira a chapa e leva-a para um canto...
Volta amuado ... "Que raio! Mais uma vez!" apresentando e virando o frame
O modelo olha para o retrato ... "Mas que raio! Porquê só a boca? E este ar zangado?"
O fotografo confessa "Nestes últimos tempos perdi mais que muitos clientes! Não consigo arrancar um sorriso de uma face! E tento, que bem tento! ... e o resultado é sempre o mesmo!"
Sai do banco, e olha melhor e de novo para o retrato, girando e contra girando, e interrompe "Uma questão de perspectiva!"
"Como?"
"Eu sorri, e encantei-me com a sua paleta de cores que esconde!" girando a foto ... "Veja?"
...
"De facto, eu sempre consegui! Ele sempre esteve lá!" dirige-se para a corda e puxa ... a clarabóia aparece, libertando a luz solar pelos vitrais, ... corre freneticamente para as paredes camufladas, de milhares de frames zangados, girando todas as fotos que cobrem as suas paredes do estúdio, uma por uma...
"Ele sempre esteve aqui!"

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