"Senhor! Julgo não conseguir, executar a minha missão!" disse pelo auscultador, ... do outro lado, a serenidade deu lugar ao acentuar do tom de voz ... "E porquê?" respondeu...
A linha mantinha algumas interferências estáticas, e o pulsar rápido, duma chamada de longa distância ... "Este temporal rotineiro, ... não deixa prosseguir! A adversidade é enorme!" lamentei ...
"E acha que a sua missão, é adversa?" ... indagou ... "O que me prometeu, ao tomar esta missão, como sendo exclusivamente sua?" ... silenciou-me. Passei a mão pelo rosto, que retinha algumas gotas de chuva que resistiam ... olhei para a mão esquerda ... uma aliança, de ouro solitário, ornamentava o dedo anelar ... brilhava entre lama, óleo, tez da pele, ... "Consegue, ou não? Responda!" interrompeu a minha fixação ... "Já atravessou calamidades bem piores, ... já sacrificou o seu orgulho, ... já atravessou vales de combate e deixou os seus despojos, ... já está nesta luta há 19 anos! Nesta missão, lucrou com os seus dois maiores tesouros!" caí em mim ... "Limpe as suas asas soldado. Isto não passa duma chuva "molha-tolos", um cacimbar suave, ... a sua missão continua! Ela espera por si!"
O telefone recolheu ao descanso, com um sonoro "tu-tu-tu-tu-tu" ... consertei o boné. Olhei para o relampadejar que iluminava o céu rasgado de nuvens cinza pesadas. Pus a mão na sacola de cabedal , que sustentava a tiracolo... o coração batia fervorosamente ... acomodei-o junto á paixão, e enrolei-o no desejo.
As saudades do olhar amêndoa sol, apelavam ...
Atirei-me ao temporal...
...
"O que acha milorde?" ...
Serenou o telefone, no descanso, ...
Coçou o queixo, e a sua longa barba branca, ..." Acho que me podes trazer o cachimbo, o tabaco de aroma a canela, ..." acomodando-se na sua poltrona de pele Victoriana marron, junto ao crepitar da lareira, que o iluminava ..." acompanha-me um copo de vinho tinto do Alentejo; ... traz-me uma torrada de pão grosso, barrada com alho e tomate, pincelada com azeite da Serra, salpicado com orégaõs; o amor desperta-me o ócio ..."
quinta-feira, 10 de março de 2011
sexta-feira, 4 de março de 2011
Super Hero ...
Não sei o que se passou, ... e se passou, foi totalmente ao lado. O choro, o ensufrinhado, o colo, ... sei lá! Uma reacção nunca esperada.
Este ano, no jardim de infância, o desfile carnavalesco, era de tema livre; cada um escolhe a sua fantasia, a seu belo prazer, digamos.
O grandão escolheu a sua, ... um imponente herói, na sua fatiota de licra azul, com o "six pack" todo evidenciado, peitorais sobressaídos, braços de Atlas, e capa que esvoaça de vermelho!
Empolgado, para se apresentar aos amigos, como o salvador, contra padeiros, sardinheiras, spider-men, batmen, cowboys, palhaços, ... e limpar o ... jardim de infância, de todos os malfeitores.
Não correu bem; as nossas expectativas, de ver o grandão, extravasar alegria, gritos, sorrisos, saltos, ... ficaram por terra. Nada feito! Choro, mimo, ranhoca ... enfim, nada que estivéssemos á espera.
Penso eu, que estava por lá escondido o vilão com a sua super arma da tristeza, e apanhou desprevenido o nosso super-herói, com um golpe fortuito, e baixo!
Este ano, no jardim de infância, o desfile carnavalesco, era de tema livre; cada um escolhe a sua fantasia, a seu belo prazer, digamos.
O grandão escolheu a sua, ... um imponente herói, na sua fatiota de licra azul, com o "six pack" todo evidenciado, peitorais sobressaídos, braços de Atlas, e capa que esvoaça de vermelho!
Empolgado, para se apresentar aos amigos, como o salvador, contra padeiros, sardinheiras, spider-men, batmen, cowboys, palhaços, ... e limpar o ... jardim de infância, de todos os malfeitores.
Não correu bem; as nossas expectativas, de ver o grandão, extravasar alegria, gritos, sorrisos, saltos, ... ficaram por terra. Nada feito! Choro, mimo, ranhoca ... enfim, nada que estivéssemos á espera.
Penso eu, que estava por lá escondido o vilão com a sua super arma da tristeza, e apanhou desprevenido o nosso super-herói, com um golpe fortuito, e baixo!
quinta-feira, 3 de março de 2011
Ser do tempo
Poderia começar pelo típico “ainda sou do tempo” (eu e muita gente, certamente), … mas não era a mesma coisa, … em que passava e respeitava os mais velhos da terra, nas ruas fartas e cheias de pessoas, lá do lugarejo. Ao Domingo, onde a capela, se dividia em cores caiadas de branco e cantos azulados, rompendo ao centro, entre a população conversadora nos seus fatos domingueiros de flanela, linho e algodão, que vociferavam aqui e ali, do amanho, do gado, do cultivo, dos alqueires, da cidade, das maleitas, das curas e da aldeia; de crianças que corriam á apanhada, entre gente e claustros, animando o tempo e o início de um dia do Senhor … dos campos cheios de cores hortícolas, e ranchos de povo, que ritmavam a terra com seu sacho, o seu saber, o seu poema, … de bravos homens tisnados que conduziam, de braços arregaçados, a sua parelha de gado bruta, pelos carreiros de terra, já traçada, para recolher o sustento do dia-a-dia …
Os tempos mudaram, para todos como é óbvio, e hoje vejo a rua, o campo, a eira, … que aguardam pela passagem do testemunho, dos mais sábios, aos “atletas” sem tempo, futuro do amanhã …
A aproximação é parca e vã, … mas aqui e ali fomento-a ao grandão (filhote), que também tenha amigos “mais grandes”, e com uma dedilhada de experiência superior … o cumprimentar, não com o saudoso “dê-me a sua bênção”, mas um simples apertar de mão com sorriso, justifica a satisfação de uns alegres contentamentos e esquecimentos de solidão, … é a paga. Até no baralhar de palavras e acrobacias de patacoadas, a alegria volta a surgir.
Afinal, ele sempre lá esteve, … escondido por detrás de uma vida de sofrimento, por detrás de uma paixão arrebatada e mais tarde incompreendida, por detrás de uma crise de força maior, por detrás de uma fome e sobrevivência de um filho, por detrás de um esquecimento de um familiar numa cama ou numa doença, por detrás de uma incompreensão de palavras, … o sorriso, nesse mesmo momento, salta, apesar do sofrimento, … e eu ainda não vi todos os que saem, mas sim alguns, e a feição bem que é acolhedora.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Pais como nós ...
E que faço eu, ... aguardo, ... carrego nos olhos lágrimas, prontas a sair, ... e espero!
Se o crer curasse ... mas nem as palavras, atingem o seu verdadeiro sentido: reconfortam, pedem, pensam, agem, acalentam ... mas o cingir, o aliviar de uma dor ... não!
Um passar a mão pelo rosto enfermo, e arrastar comigo, toda a maleita, ... transformar um silêncio, num rasgado sorriso ... um abraço de impotência, num vigoroso salto de alegria ... é o meu querer.
O conforto que planto, aos amigos ... nós estamos aqui!
Abraço os meus filhotes, o maior tesouro de todos, ... e choro o agradecimento, ... pelos momentos que me oferecem e me transformam em homem, amigo e pai, ...
E pelo dúbio, imponderável que eu sou, ... choro, ... a vida é uma alegria, apesar "disto e daquilo" por que passamos.
Se o crer curasse ... mas nem as palavras, atingem o seu verdadeiro sentido: reconfortam, pedem, pensam, agem, acalentam ... mas o cingir, o aliviar de uma dor ... não!
Um passar a mão pelo rosto enfermo, e arrastar comigo, toda a maleita, ... transformar um silêncio, num rasgado sorriso ... um abraço de impotência, num vigoroso salto de alegria ... é o meu querer.
O conforto que planto, aos amigos ... nós estamos aqui!
Abraço os meus filhotes, o maior tesouro de todos, ... e choro o agradecimento, ... pelos momentos que me oferecem e me transformam em homem, amigo e pai, ...
E pelo dúbio, imponderável que eu sou, ... choro, ... a vida é uma alegria, apesar "disto e daquilo" por que passamos.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Canal directo para a oração ...
"A algum tempo a C. pediu-nos que rezássemos, ... pois é isso que temos que fazer, juntos ou em separado, mas penso que Fátima tem o canal directo para a oração..." saiu-me espontaneamente um sorriso, ... não jocoso, mas sentido pela expressão utilizada ... a M.
A bem dizer, uns quantos amigos, aceitaram o convite, e organizados seguimos ... cada um com o seu sacrifício, a sua convicção no peito ... com o fim de pedir uma ajuda, pela oração, pela conversa directa com quem nos socorre na aflição da vida, ... embora eu reconheça que, só no desespero, pare e peça, ... esqueço deliberadamente o agradecimento espontâneo da simples vida, do momento, do ser.
Cumprindo o sacrifício, e participando no calor da procissão das velas, pedimos, ... todos recatadamente no seu intimo.
Mas á luz do coração com o nosso crer, talvez tangível, acredito que a ajuda singre.
A bem dizer, uns quantos amigos, aceitaram o convite, e organizados seguimos ... cada um com o seu sacrifício, a sua convicção no peito ... com o fim de pedir uma ajuda, pela oração, pela conversa directa com quem nos socorre na aflição da vida, ... embora eu reconheça que, só no desespero, pare e peça, ... esqueço deliberadamente o agradecimento espontâneo da simples vida, do momento, do ser.
Cumprindo o sacrifício, e participando no calor da procissão das velas, pedimos, ... todos recatadamente no seu intimo.
Mas á luz do coração com o nosso crer, talvez tangível, acredito que a ajuda singre.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Enches-me o peito ... amo-te!
Namorar, … é mais do que uma flor aberta, …
é a nossa vida, a nossa cumplicidade,
o nosso abraçar, o nosso barafustar,
o nosso beijar, o nosso relaxar,
o nosso olhar, o nosso silêncio,
o nosso sentir, o nosso compensar,
a nossa tristeza, a nossa gargalhada,
o nosso orgulho, a nossa humildade,
os nossos filhotes, os nossos sorrisos, …
somos nós, … diferentes por acaso …
embora não o diga, enches-me o peito …
amo-te !
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