quinta-feira, 3 de março de 2011

Ser do tempo

Poderia começar pelo típico “ainda sou do tempo” (eu e muita gente, certamente), … mas não era a mesma coisa, … em que passava e respeitava os mais velhos da terra, nas ruas fartas e cheias de pessoas, lá do lugarejo. Ao Domingo, onde a capela, se dividia em cores caiadas de branco e cantos azulados, rompendo ao centro, entre a população conversadora nos seus fatos domingueiros de flanela, linho e algodão, que vociferavam aqui e ali, do amanho, do gado, do cultivo, dos alqueires, da cidade, das maleitas, das curas e da aldeia; de crianças que corriam á apanhada, entre gente e claustros, animando o tempo e o início de um dia do Senhor … dos campos cheios de cores hortícolas, e ranchos de povo, que ritmavam a terra com seu sacho, o seu saber, o seu poema, … de bravos homens tisnados que conduziam, de braços arregaçados, a sua parelha de gado bruta, pelos carreiros de terra, já traçada, para recolher o sustento do dia-a-dia …
Os tempos mudaram, para todos como é óbvio, e hoje vejo a rua, o campo, a eira, … que aguardam pela passagem do testemunho, dos mais sábios, aos “atletas” sem tempo, futuro do amanhã …
A aproximação é parca e vã, … mas aqui e ali fomento-a ao grandão (filhote), que também tenha amigos “mais grandes”, e com uma dedilhada de experiência superior … o cumprimentar, não com o saudoso “dê-me a sua bênção”, mas um simples apertar de mão com sorriso, justifica a satisfação de uns alegres contentamentos e esquecimentos de solidão, … é a paga. Até no baralhar de palavras e acrobacias de patacoadas, a alegria volta a surgir.
Afinal, ele sempre lá esteve, … escondido por detrás de uma vida de sofrimento, por detrás de uma paixão arrebatada e mais tarde incompreendida, por detrás de uma crise de força maior, por detrás de uma fome e sobrevivência de um filho, por detrás de um esquecimento de um familiar numa cama ou numa doença, por detrás de uma incompreensão de palavras, … o sorriso, nesse mesmo momento, salta, apesar do sofrimento, … e eu ainda não vi todos os que saem, mas sim alguns, e a feição bem que é acolhedora.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Pais como nós ...

E que faço eu, ... aguardo, ... carrego nos olhos lágrimas, prontas a sair, ... e espero!
Se o crer curasse ... mas nem as palavras, atingem o seu verdadeiro sentido: reconfortam, pedem, pensam, agem, acalentam ... mas o cingir, o aliviar de uma dor ... não!
Um passar a mão pelo rosto enfermo, e arrastar comigo, toda a maleita, ... transformar um silêncio, num rasgado sorriso ... um abraço de impotência, num vigoroso salto de alegria ... é o meu querer.
O conforto que planto, aos amigos ... nós estamos aqui!
Abraço os meus filhotes, o maior tesouro de todos, ... e choro o agradecimento, ... pelos momentos que me oferecem e me transformam em homem, amigo e pai, ...
E pelo dúbio, imponderável que eu sou, ...  choro, ... a vida é uma alegria, apesar "disto e daquilo" por que passamos.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Canal directo para a oração ...

"A algum tempo a C. pediu-nos que rezássemos, ...  pois é isso que temos que fazer, juntos ou em separado, mas penso que Fátima tem o canal directo para a oração..." saiu-me espontaneamente um sorriso, ... não jocoso, mas sentido pela expressão utilizada ... a M.
A bem dizer, uns quantos amigos, aceitaram o convite, e organizados seguimos ... cada um com o seu sacrifício,  a sua convicção no peito ... com o fim de pedir uma ajuda, pela oração, pela conversa directa com quem nos socorre na aflição da vida, ... embora eu reconheça que, só no desespero, pare e peça, ... esqueço deliberadamente o agradecimento espontâneo da simples vida, do momento, do ser.
Cumprindo o sacrifício, e participando no calor da procissão das velas, pedimos, ... todos recatadamente no seu intimo.
Mas á luz do coração com o nosso crer, talvez tangível, acredito que a ajuda singre.
 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Enches-me o peito ... amo-te!

Namorar, … é mais do que uma flor aberta, …
é a nossa vida, a nossa cumplicidade,
o nosso abraçar,  o nosso barafustar,
o nosso beijar, o nosso relaxar,
o nosso olhar, o nosso silêncio,
o nosso sentir, o nosso compensar,
a nossa tristeza, a nossa gargalhada,
o nosso orgulho, a nossa humildade,
os nossos filhotes, os nossos sorrisos, …
somos nós, … diferentes por acaso …
embora não o diga, enches-me o peito …
amo-te !

sábado, 22 de janeiro de 2011

Retrospectiva

Já lá vai um acumular de 3 anos, ...
Sentado, dedilhando um "QWERTY", redigindo a meu belo prazer, o que eventualmente me inspire, ... continuo , por gosto, a olhar á minha volta, a inspirar os aromas da vida, a receber a dádiva do meio que me envolve, a sentir o agradecimento de conviver em família, ... e escrevo.
Não me acondiciono, a parâmetros estipulados pela retórica da gramática, ... simplesmente.
Aprendo com os amigos, os visitantes, os que encontro, os pastores, e especialmente os que me incitam a divagar...
Os gostos prevalecem, ... um tinto a sair da pipa, ... o cheiro do tabaco curado, ... a chuva que cai numa trovoada de Verão, ... a erva acabada de cortar, ... o conforto do abraço dos filhotes, ... a meiguice da esposa, ... o convívio do calor dos amigos, ... o "sarramoucar" do sofá, ... os ditarotes do povo, ... o ajudar aqui e ali, ...o ler ... a broa quente acabada de "desbroar", ... o crepitar da cavaca, ... o caminhar descalço, ...
Sim, continuo é claro, ... não tanto quanto eu desejo, mas vou continuar a dedilhar, ... pois que agora me caiu na "lembradura", o ímpeto de "e se juntasse meia dúzia daquelas histórias, que ali se amontoam, e fizesse algo mais?".
Sem tentar não se sabe ... volto já!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Passa I

É certo, que o costume e a tradição, instiga-nos a tomar os desejos, e a acreditar nas passas ...
Certo e sabido, os desejos tomados, a entrada com os dois pés no novo ano, e enfrentar o dia-a-dia, ...
Uma delas, que me soube a passas, ostentava um desafio físico e moral, maior. Esse pequeno verbo, que vive de á uns tempos para cá, ao nosso lado, na nossa algibeira, no nosso quotidiano: poupar.
E conforme desejado, assim aplicado. Orientado o dia de trabalho, chega a hora do repasto, o recargar de energias, ao meio do dia. A deslocação, mais que não é muita, 4 minutos, num veículo movido a diesel. Optei por começar a poupar, para já no trajecto: poupo uns trocos no consumo e no desgaste do veículo; movimento o atrofio e o tédio sedentário de uma profissão de expediente geral; e poupo o meio que nos suporta.
É certo que aumenta para 13 minutos, uma deslocação com este veículo pedestre. Mas a compensação e ganho é superior: o saudar e meter conversa com pessoas que eu não via á séculos; o passar pelas terras frescas e amanhadas; o reparar pela transição e mutação do ecossistema; o clarear de ideias; o orar connosco próprios, pelos nossos, pelos amigos, por todos em especial ...
E eu com a mais pálida ideia de que engolia desejos, e daria um término ás passas.
Mas não ... começo a cumprir, uma fase ... ser mais verde.