quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Canal directo para a oração ...

"A algum tempo a C. pediu-nos que rezássemos, ...  pois é isso que temos que fazer, juntos ou em separado, mas penso que Fátima tem o canal directo para a oração..." saiu-me espontaneamente um sorriso, ... não jocoso, mas sentido pela expressão utilizada ... a M.
A bem dizer, uns quantos amigos, aceitaram o convite, e organizados seguimos ... cada um com o seu sacrifício,  a sua convicção no peito ... com o fim de pedir uma ajuda, pela oração, pela conversa directa com quem nos socorre na aflição da vida, ... embora eu reconheça que, só no desespero, pare e peça, ... esqueço deliberadamente o agradecimento espontâneo da simples vida, do momento, do ser.
Cumprindo o sacrifício, e participando no calor da procissão das velas, pedimos, ... todos recatadamente no seu intimo.
Mas á luz do coração com o nosso crer, talvez tangível, acredito que a ajuda singre.
 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Enches-me o peito ... amo-te!

Namorar, … é mais do que uma flor aberta, …
é a nossa vida, a nossa cumplicidade,
o nosso abraçar,  o nosso barafustar,
o nosso beijar, o nosso relaxar,
o nosso olhar, o nosso silêncio,
o nosso sentir, o nosso compensar,
a nossa tristeza, a nossa gargalhada,
o nosso orgulho, a nossa humildade,
os nossos filhotes, os nossos sorrisos, …
somos nós, … diferentes por acaso …
embora não o diga, enches-me o peito …
amo-te !

sábado, 22 de janeiro de 2011

Retrospectiva

Já lá vai um acumular de 3 anos, ...
Sentado, dedilhando um "QWERTY", redigindo a meu belo prazer, o que eventualmente me inspire, ... continuo , por gosto, a olhar á minha volta, a inspirar os aromas da vida, a receber a dádiva do meio que me envolve, a sentir o agradecimento de conviver em família, ... e escrevo.
Não me acondiciono, a parâmetros estipulados pela retórica da gramática, ... simplesmente.
Aprendo com os amigos, os visitantes, os que encontro, os pastores, e especialmente os que me incitam a divagar...
Os gostos prevalecem, ... um tinto a sair da pipa, ... o cheiro do tabaco curado, ... a chuva que cai numa trovoada de Verão, ... a erva acabada de cortar, ... o conforto do abraço dos filhotes, ... a meiguice da esposa, ... o convívio do calor dos amigos, ... o "sarramoucar" do sofá, ... os ditarotes do povo, ... o ajudar aqui e ali, ...o ler ... a broa quente acabada de "desbroar", ... o crepitar da cavaca, ... o caminhar descalço, ...
Sim, continuo é claro, ... não tanto quanto eu desejo, mas vou continuar a dedilhar, ... pois que agora me caiu na "lembradura", o ímpeto de "e se juntasse meia dúzia daquelas histórias, que ali se amontoam, e fizesse algo mais?".
Sem tentar não se sabe ... volto já!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Passa I

É certo, que o costume e a tradição, instiga-nos a tomar os desejos, e a acreditar nas passas ...
Certo e sabido, os desejos tomados, a entrada com os dois pés no novo ano, e enfrentar o dia-a-dia, ...
Uma delas, que me soube a passas, ostentava um desafio físico e moral, maior. Esse pequeno verbo, que vive de á uns tempos para cá, ao nosso lado, na nossa algibeira, no nosso quotidiano: poupar.
E conforme desejado, assim aplicado. Orientado o dia de trabalho, chega a hora do repasto, o recargar de energias, ao meio do dia. A deslocação, mais que não é muita, 4 minutos, num veículo movido a diesel. Optei por começar a poupar, para já no trajecto: poupo uns trocos no consumo e no desgaste do veículo; movimento o atrofio e o tédio sedentário de uma profissão de expediente geral; e poupo o meio que nos suporta.
É certo que aumenta para 13 minutos, uma deslocação com este veículo pedestre. Mas a compensação e ganho é superior: o saudar e meter conversa com pessoas que eu não via á séculos; o passar pelas terras frescas e amanhadas; o reparar pela transição e mutação do ecossistema; o clarear de ideias; o orar connosco próprios, pelos nossos, pelos amigos, por todos em especial ...
E eu com a mais pálida ideia de que engolia desejos, e daria um término ás passas.
Mas não ... começo a cumprir, uma fase ... ser mais verde.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Um novo ... jogo.

Dou as ultimas cachimbadas, ... coço a barba de cinco dias ...
A cadeira balouça á orla do horizonte, ...
Anoitece ...
Aguardo a chegada do novo intruso ...
Um chá verde dos Açores que fumega, umas bolachas de canela com leve aroma a gengibre, ... beberico uma golada, ...
Arrepanho a manta de retalhos, que me aquece as pernas ...
... já o ouço ao longe ... ele aí vem! ... mais uma baforada.
"Adeus! Até nunca mais!" diz-me o parceiro, levantando-se, e desprotegendo o rei ...
"Xeque-mate!" num aperto de mão cansado.
"Foi um bom desafio. Alguma luta, sofrimento, recuos e alegrias. O próximo que virá, será um bom partido!" fechando a porta atrás de si, surrateiro ...
Carrego o cachimbo que já se apagou, ... calmamente, que não há pressa.
Antevejo, que o próximo, não será fácil ...
Recoloco as peças no tabuleiro, ... acendo o cachimbo, ... estou pronto!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Unique!

A noite chegou, e o afoito também: o preparar da janta, o pôr da mesa, o atiçar do lume, o pôr a converseta em dia, o preparar dos últimos doces, o abrir da "pinga da boa", o pôr a brincadeira no dia certo, ... o alarido da véspera de Natal.
E há momentos e momentos ... o abrir dos presentes. É claro que só os filhotes participam, mas mesmo assim é uma alegria de um momento que se expande por dias e dias. Compensa tudo!
A reacção do grandão, foi o momento para todos, em que sorrimos e rimos, e aquecemos os nossos corações;  especialmente a sua estupefacção, ao rasgar do papel de lustro, e o momento que abriu toda a sua boca em espanto, com o queixo totalmente caído, e arregalando os olhos, ... apeteceu-me dizer: "unique!" só para enfadar, ... mas salvei o momento para mim.