quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Passa I

É certo, que o costume e a tradição, instiga-nos a tomar os desejos, e a acreditar nas passas ...
Certo e sabido, os desejos tomados, a entrada com os dois pés no novo ano, e enfrentar o dia-a-dia, ...
Uma delas, que me soube a passas, ostentava um desafio físico e moral, maior. Esse pequeno verbo, que vive de á uns tempos para cá, ao nosso lado, na nossa algibeira, no nosso quotidiano: poupar.
E conforme desejado, assim aplicado. Orientado o dia de trabalho, chega a hora do repasto, o recargar de energias, ao meio do dia. A deslocação, mais que não é muita, 4 minutos, num veículo movido a diesel. Optei por começar a poupar, para já no trajecto: poupo uns trocos no consumo e no desgaste do veículo; movimento o atrofio e o tédio sedentário de uma profissão de expediente geral; e poupo o meio que nos suporta.
É certo que aumenta para 13 minutos, uma deslocação com este veículo pedestre. Mas a compensação e ganho é superior: o saudar e meter conversa com pessoas que eu não via á séculos; o passar pelas terras frescas e amanhadas; o reparar pela transição e mutação do ecossistema; o clarear de ideias; o orar connosco próprios, pelos nossos, pelos amigos, por todos em especial ...
E eu com a mais pálida ideia de que engolia desejos, e daria um término ás passas.
Mas não ... começo a cumprir, uma fase ... ser mais verde.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Um novo ... jogo.

Dou as ultimas cachimbadas, ... coço a barba de cinco dias ...
A cadeira balouça á orla do horizonte, ...
Anoitece ...
Aguardo a chegada do novo intruso ...
Um chá verde dos Açores que fumega, umas bolachas de canela com leve aroma a gengibre, ... beberico uma golada, ...
Arrepanho a manta de retalhos, que me aquece as pernas ...
... já o ouço ao longe ... ele aí vem! ... mais uma baforada.
"Adeus! Até nunca mais!" diz-me o parceiro, levantando-se, e desprotegendo o rei ...
"Xeque-mate!" num aperto de mão cansado.
"Foi um bom desafio. Alguma luta, sofrimento, recuos e alegrias. O próximo que virá, será um bom partido!" fechando a porta atrás de si, surrateiro ...
Carrego o cachimbo que já se apagou, ... calmamente, que não há pressa.
Antevejo, que o próximo, não será fácil ...
Recoloco as peças no tabuleiro, ... acendo o cachimbo, ... estou pronto!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Unique!

A noite chegou, e o afoito também: o preparar da janta, o pôr da mesa, o atiçar do lume, o pôr a converseta em dia, o preparar dos últimos doces, o abrir da "pinga da boa", o pôr a brincadeira no dia certo, ... o alarido da véspera de Natal.
E há momentos e momentos ... o abrir dos presentes. É claro que só os filhotes participam, mas mesmo assim é uma alegria de um momento que se expande por dias e dias. Compensa tudo!
A reacção do grandão, foi o momento para todos, em que sorrimos e rimos, e aquecemos os nossos corações;  especialmente a sua estupefacção, ao rasgar do papel de lustro, e o momento que abriu toda a sua boca em espanto, com o queixo totalmente caído, e arregalando os olhos, ... apeteceu-me dizer: "unique!" só para enfadar, ... mas salvei o momento para mim.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Sentir, o que sentem

O grandão adoeceu, ... quem corre, salta e ginga, ... de repente pára.
... ficamos de rastos, e arrasados, sem saber o que fazer, supondo o que nos vem á cabeça ... chorando, olhando-nos no olhar, ao menino que resta, indefeso.
Sentimos o que passa na alma de amigos, que não conseguem socorrer uma maleita que seja, aos seus rebentos.
Contudo estamos, esperamos e cuidamos, com caldos, mezinhas e mimos ... e ao final, depois da tempestade, a bonança, o riso, o salto, o abraço, o beijo, o sorriso ... compensa.

Carta ao Menino Jesus ...

Do Canto de Cá
Véspera de Natal

Caro Menino Jesus!
Espero que te encontres de saúde.
A esta hora, á última é claro, venho pedir-te que encaminhes este meu desejo.
Não que eu seja um pedinchas, e nem sequer exijo que trabalhes em demasia; mas certamente conseguirás encontrar um cantinho para transportar nessa tua grande compreensão, que puxas pelo manto celestial nessa bela noite da véspera de Natal.
É claro que a boa vontade, a ternura e a bondade, de mãos dadas com o consumismo e a hipocrisia, que se esbanja na abundância das vitrinas, nos acompanha nesta época, e rápido se esquecerá; mas para este ano, contudo ... queria que me encaminhasses somente este presente, para que colocado em cada coração, prevaleça: um abraço, ... aos amigos que nos ajudam, aos filhos dos amigos que brincam, aos nossos pais que nos adoram, aos nossos avós que nos mimam, aos nossos primos, tios e familiares que nos saúdam, aos nossos irmãos que nos amparam, aos filhotes que crescem, à esposa que adoro, ... e não me quero esquecer também dos desamparados, dos tristes, dos sem abrigo, dos doentes, dos solitários, ... de todos sem excepção, porque, ...  e acho que concordas comigo, todos merecem um abraço no Natal, que é quando o homem quiser, mas por mim continua a ser todos os dias.
Espero que o deixes a todos, ... em caixa pequena de cor de agradecimento, e com laço de amor ...

Sei que não te poderei pagar tamanha tarefa, ... mas obrigado.

Um abraço do Canto de Cá ...