quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Que se passa ...quando passa?

Que se passa com este tempo?
Não entendo ... nada me ocorre. Nem chuva, nem sol ...
Ao longe, estendo a mão, vejo a barra que clareia ...
O farol mostra a esperança, ... vou entrar, que a chuva começa a carapinhar. Talvez algo me surja, junto á salamandra  ....
... quando passa, esta azafama de "não sei quê"? Quando passa?

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Fim de semana BP

"Escreveste algo sobre o fim de semana que passamos, pai?" indagou a filha num daqueles pequeno almoços rápidos a despachar, antes-de-ir-para-a-escola-e-trabalho.
Realmente, as obrigações de pai, marido e funcionário, encostaram á borda e na totalidade,  as experiências daquele fim de semana.
"Prometo que vou falar" disse, ... e aqui está.
Tudo se passou nos meados do findo mês.
Uma semana antes, reunimo-nos, na sede, numa das alcateias ..., dirigentes, pais, ...
A apresentação das actividades, novas adaptações  e orientações pedagógicas, e um primeiro desafio: acampamento acompanhado dos pais.
"Nós vamos!" em representação do agregado familiar ...
O fim de semana apareceu, e com ele uma precipitada semana diluviana, ... "Altera-se para um acantonamento!" foi a sugestão dada via sms pelos chefes.
Mochila de campismo da filhota preparada, e mais sacos-cama, colchonetes, pratos, talheres, toalhas, pijamas, fatos treino, ... em versão multipla de três.
Voltou o espírito aventureiro ... trouxa ás costas, isto é, na carripana, e ... destino "logo se vê onde vamos parar".
Cheguei um pouco mais tarde com o grandão, a viatura, o material de campismo, ... a esposa participa num "rally-paper" ou "peddy-paper", com a filhota, de modo a saborear um pouco o trabalho de equipa em orientação ...
Depois das equipas reunidas, gritos de guerra treinados, e apresentação na formatura, seguimos para a base do acantonamento, ... e espojamo-nos a um canto. Tarefas divididas, equipas de jantar escolhidas, começam a confeccionar uma rápida refeição quentinha: o tradicional arroz branco, a bela da fêvera assada, a salada temperada, ... o desenrascado.
Barriguinha cheia, tarefas cumpridas, ... acalmar que vem aí o "fogo de conselho": alguns jogos divertidos, algumas músicas de fileira, ... a galhofa em que todos participam, e em que as diversas idades revelam a sua parte artística e cultural: confraternizar.
O sono chega; o grandão começa a aninhar-se; a filhota partilha um canto com uma colega; nós esticamos a tralha e pernoitamos. Assisto ao momento exacto em que o grandão sucumbe ao sono, ... maravilhoso.
A noite passa ... e clareia ... o dia chega. O som estridente do apito madrugador, desperta todo o acantonamento. Acordar, levantar, movimentar, ... e recolher a tralha dispersa.
Limpo o sítio da estadia, e viaturas recarregadas, uma surpresa para o grupo de chefes, pais e filhotes: futebol humano. Quedas, risos, golos, galhofas, ... um bom terminar de actividade.
Para o final, antes das despedidas "do até para a semana", uma roda sentada, e o falar ... um a um ... um diagnóstico, uma opinião: "um fim de semana em pleno com a família, numa actividade diferente; além de já ter vivido o espírito de Baden-Powell, juntamente com alguns chefes e pais, aqui presentes..."

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Nascer ... sair da barriga

Explícito no SMS: "Já temos mais uma menina ..." dactilografada pelos amigos
"Parabéns amigos! Espero que tenha sido um momento fantástico para vocês!" retribui ...
...
Comentei aos filhotes, ... "A menina nasceu; a mana do amiguinho!" a filhota cheia de jubilo, demonstrava a sua alegria; o grandão, não percebendo, coçava o cabelo, olhava para nós: ... nascer ...
"Já vais poder brincar com ela!" disse-lhe com alguma simplicidade, de não querer complicar, no momento, o entendimento da palavra; um sentido mais lato; muito mais "nada ter a ver com o assunto"; espalhar bem a coisa...
"Saiu da barriga dela?" surpreendeu-me na sua inocência, como sempre de bom entendedor ...
"Isso mesmo!" confirmei ...
" Ehhhhhhhhh!" rejubilou juntando-se á irmã ...

Parabéns meninos!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Sol de pouca dura

Iniciado um ano lectivo, novinho em folha, no génesis da vida de estudante, o grandão surpreendeu-nos:
Cheio de força, novas amizades no horizonte, amigos das cambalhotas de verão, vizinhos dos avós maternos, a sede de aprender tudo e mais alguma coisa que lhe aparecesse á frente, ... concluíndo, o pôr o pé num Jardim de Infância, e ligar o "turbo boost", sem deixar nada para trás.
...
"Pai! Não quero ir á escola!" ... a bomba foi largada, ... detonou, ... e não houve maneira de ficar indiferente.
O que fazer nestas ocasiões? Ouvir, questionar, ... lançar um ar pedagógico ao problema, ...
Confortámos ... recebeu todo o mimo vestindo o bibe, chorou um pouco e ficou na escola, junto da assistente ...
Doi um pouco o coração, e especialmente o meu que é de manteiga com pouco sal e com ervas aromáticas, ver um filho com um choro sentido, ... aguento por dentro, sem mostrar a minha tristeza e pena.
"Hoje chora, amanhã ri" a vida é mesmo assim ...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Matinalmente correcto

Eu sei que há dificuldade em tirar o coirão da cama, logo que o despertador berra desalmadamente, no seu posto madrugador.
A visão, ao confrontar-me com o espelho, é que na sua essência me ajuda a acordar.
Encho as duas palmas das mãos, bem cheias de água fria, e lanço-as á face ... faz-me recordar a rotina do avô Telo: ir á pia das vacas,  molhar a face com dois dedos de água bem sacudidos, e seguir para a lavoura.
O acordar é instantâneo... mas no entanto algo não está no sítio.
Barba de quatro dias, reservo-a para Domingo antes da missa.
Uma inspecção corporal, ... tudo no sítio...
É a gadelha!
Não a consigo dominar; não sou rapaz de utilizar gel e afins, de modo a dominar e perfeccionar o penteado, com linha bleu. Sou mais tipo felino, molhar para controlar a rebeldia momentânea. Rego bem regado a tufa com água, e com as mãos, ajeito os fora do sítio; mesmo assim, surge sempre algum posto emissor pirata, com a sua antena de transmissão, lá bem no alto, que dificilmente consigo abafar.
Hoje é o dia! A confragem do travesseiro, deixou á solta a rebeldia; e cá estou eu com uma bela antena FM, enpiriquitada. "Tens o cabelo do avô, grosso e forte" diz o pai... a verdade é esta: tenho que ir ao barbeiro...

domingo, 19 de setembro de 2010

Uma caixa

Peguei numa pequena caixa, verdejantemente quadrada, com uma tampa doce de marron achocolatado; ...
abri a gaveta do pecegé, ... um pequeno sol, um punhado de brisa fresca e um coração, ... acondicionei cada um sobre o fundo de veludo vermelho, ... peguei na chave, rodei no sentido inverso aos ponteiros do relógio, e senti o bombear e pulsar do pequeno coração, ... fechei e reservei.
Calcei as galochas, vesti o sobretudo, ... "Espera-me, que eu também vou!" disse a esposa, que acabara de acondicionar e cintar o seu longo casaco preto ... peguei na caixa, e saímos á rua: a chuva caía. Respirei fundo, abri o chapéu de chuva, protegendo a esposa e a caixa, aliás as caixas... "Levo uma Gerebere laranja, um beijo quente, e um mimo!" segurando entre as duas mãos a caixa rosa salmonada, com tampa laranja citrino, ...
A escarduçada era forte, e molhada, quando chegamos ... "Era para deixar?" perguntou a menina que atendia os senhores no hall de entrada... acenamos de sorriso no rosto... "Ao fundo deste corredor, um largo de carpete vermelha, banhado pela luz do Sol, entre balaustres de pedra talhada!" prosseguimos e a praça que se descobria, empilhava e albergava uma pirâmide vertiginosa de várias caixas quadradas coloridas, ...
"Cada um irá receber o presente a seu tempo, ... deixemos dar-lhe o tempo devido, ... que tudo tem o seu tempo e medida!" dizia a menina que recebia as nossas caixas, empilhando-as ... "Espero que seja do seu agrado..." falei para mim.
"Vamos para casa, que a chuva parou, e o lume mantêm a sua chama!" disse a esposa sussurrando ao ouvido ...
Consenti, caminhando de braço dado e sorridente, para o Canto de Cá.