Que belo repasto matinal, acompanhado de um entroar da mãe natureza, uma salga de foskamónio, e lavagem com uma chuva de cântaros!
Aos filhotes, tento incutir uma definição científica, para o fenómeno que admiro mas respeito, … e não um factor religioso “é Deus a ralhar com os homens, triste com os seus procedimentos”; mas não sei se nesta altura uma definição poética não viria mesmo a calhar, tipo “duas nuvens que bateram, sem crer, na avenida do Céu”, como quando poeticamente transmitia a uma pequena prima, que o algodão era colhido das nuvens, com um avião biplano…
Os filhotes acobardaram-se á brutalidade da natureza, … e eu temi por eles. Ambos procuraram refúgio madrugador na nossa cama “large size”, … visto haver espaço, que prontamente decidiram resgatar, bem e subtilmente sem oposição, com uns “chega para lá de pontapés e cotoveladas, que nós já chegamos”…
O resto do descansado sono, tinha ido com a chuva, … nada a fazer; o pequeno conquista terreno á minha fronha, com turras, e pontapés, … a filhota, com o desarrolhar do edredon; a precipitação, fustiga os estores, … já era.
Convenientemente, vou criar uma petição para trovoadas, chuvas, ventos, … mau tempo em geral, para decorrerem somente durante o horário de trabalho, e não durante o do descanso do guerreiro.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Embalo do relógio
00:32 … com um olho no sono, e um ouvido nos filhotes, … comecei a deixar o ar de sentinela, e saltei para uma opção Zen, … mais descontraída, … relaxada, …
(…) algo me importunava, … o olho, não havia maneira de se pregar ao travesseiro, … e o ouvido mantinha frequência aberta com o mais pequeno; o remexer no colchão, a chucha que mamava, a agitação de um sonho menos alegre, o transformar do sonho num choro, …
…arrebatei as mantas, e saltei pronto, … embora semi-nu, engalfinhei-me, sentindo os músculos contraírem-se um a um, … voei para o quarto de pequeno.
“Então?” sussurrei … “… a ´peta, … (buááá)” de olhos cerrados sentado, chorando me gritou…
Palmilhei cada cm² do colchão, e a sossega do sono, não aparecia, … já intrigado, e engadanhado com o frio, remexi por baixo da almofada, com o desespero do sono que se intrometia … lá estava ela quieta, aguardando a visita de alguma fada, talvez.
Devolvi-a ao legítimo dono, e o desespero deu lugar á bonança, … aconchegou o corpo, ajustei-lhe as mantas, … deixei-o no seu fantástico sonho, …
01:07 … corpo novamente de regresso á caminha, … a temperatura ambiental, sacudira-me totalmente, contraindo-me, … o corpo, voltava á sua forma relaxada; agarrei-me á esposa, de forma a usurpar algum calor, que teimava em não aparecer, … e tudo devido ao ponto fraco que me importunava, e não reparara antes, … o dedo polegar do pé estava, quase no estado de criopreservação, …esse malandro roubou-me o sono, … hoje faz-me falta, …
02:36 … estou tentado a ligar, para alguma empresa cerâmica das redondezas, para ir aquecer este dedo, junto á tremunha do alimentador de serradura do forno, … tenho que me distrair: contar ovelhas que saltam o cercado de pedra, mas só penso na ovelha Choné, e uma só não dá resultado, só dá galhofa; criar palavras com a inversão dos números do relógio “LESO = 02:37, … OSSO = 05:50, … SOLO = 07:05” …
07:05 … berra o despertador, … de pé; … agora já está quente, mas tens que ir trabalhar, … a reter para o próximo sono: casa quente, pijama completo, botija de água quente, chupeta suplente á mão, e deixar de brincar com o despertador a criar palavras, …
(…) algo me importunava, … o olho, não havia maneira de se pregar ao travesseiro, … e o ouvido mantinha frequência aberta com o mais pequeno; o remexer no colchão, a chucha que mamava, a agitação de um sonho menos alegre, o transformar do sonho num choro, …
…arrebatei as mantas, e saltei pronto, … embora semi-nu, engalfinhei-me, sentindo os músculos contraírem-se um a um, … voei para o quarto de pequeno.
“Então?” sussurrei … “… a ´peta, … (buááá)” de olhos cerrados sentado, chorando me gritou…
Palmilhei cada cm² do colchão, e a sossega do sono, não aparecia, … já intrigado, e engadanhado com o frio, remexi por baixo da almofada, com o desespero do sono que se intrometia … lá estava ela quieta, aguardando a visita de alguma fada, talvez.
Devolvi-a ao legítimo dono, e o desespero deu lugar á bonança, … aconchegou o corpo, ajustei-lhe as mantas, … deixei-o no seu fantástico sonho, …
01:07 … corpo novamente de regresso á caminha, … a temperatura ambiental, sacudira-me totalmente, contraindo-me, … o corpo, voltava á sua forma relaxada; agarrei-me á esposa, de forma a usurpar algum calor, que teimava em não aparecer, … e tudo devido ao ponto fraco que me importunava, e não reparara antes, … o dedo polegar do pé estava, quase no estado de criopreservação, …esse malandro roubou-me o sono, … hoje faz-me falta, …
02:36 … estou tentado a ligar, para alguma empresa cerâmica das redondezas, para ir aquecer este dedo, junto á tremunha do alimentador de serradura do forno, … tenho que me distrair: contar ovelhas que saltam o cercado de pedra, mas só penso na ovelha Choné, e uma só não dá resultado, só dá galhofa; criar palavras com a inversão dos números do relógio “LESO = 02:37, … OSSO = 05:50, … SOLO = 07:05” …
07:05 … berra o despertador, … de pé; … agora já está quente, mas tens que ir trabalhar, … a reter para o próximo sono: casa quente, pijama completo, botija de água quente, chupeta suplente á mão, e deixar de brincar com o despertador a criar palavras, …
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Ementa neste dia enamorado
No “Chez moi”, para este dia, reservada uma janta especial, com a qual nos degustámos: Amêijoa á Bolhão pato; vinho rosé deste Mundus; e “petit gateaux” quente com uma bola de gelado de natas.
Valeu ao “grand-maître” a ajuda singular da filhota e do pequeno, … grande momento para este dia enamorado …
Valeu ao “grand-maître” a ajuda singular da filhota e do pequeno, … grande momento para este dia enamorado …
Farmacia sentimental
A dor no peito e a preocupação, era de um crescendo, e visto as mezinhas da mãe não surtirem efeito, resolvi ir á farmácia do lugarejo. A porta guinchou, e a campainha, saudou a entrada; apareceu o farmacete, o Sr. Zé de bigode farfalhudo, mas atencioso “Bons Dias! O que deseja freguês?”. Olhei para as prateleiras brancas, e comecei a relatar a minha maleita “Ando a ter umas dores no peito…” … “Quem é a moçoila?” interrompeu; “... isto foi desde que bebi uma malga de amor quente, …” indaguei, … “Mas quem é a moça?” irrompeu de um modo arisco. “…é uma moça da aldeia vizinha, mas estuda na cidade!” declarei.
“Estou a ver, …” virou-me as costas, e remexendo no seu bigode, começou a espreitar para os frascos e caixas. Pegou em três caixinhas. “Esta caixa de beijos: um beijo de manhã e outro á noite, sem interrupção; esta pomada de felicidade, durante o dia; e estas ampolas de paixão, para qualquer hora!” embrulhando em papel manteiga, e escrevendo por fora o receituário. “Quanto é a paga?” pedi … fixou-me, mexeu o bigode, franziu o olho e perguntou para o gabinete: “ A conta deste moço, patrão?” apareceu o patrão “É o mesmo de sempre: uma vida bem vivida!”
“Sr. Zé do bigode fartaludo! Avie aquela receita do pastor da serra apaixonado! Ouvi dizer que estava a chegar, … não gosto de fazer esperar ninguém!”
“Estou a ver, …” virou-me as costas, e remexendo no seu bigode, começou a espreitar para os frascos e caixas. Pegou em três caixinhas. “Esta caixa de beijos: um beijo de manhã e outro á noite, sem interrupção; esta pomada de felicidade, durante o dia; e estas ampolas de paixão, para qualquer hora!” embrulhando em papel manteiga, e escrevendo por fora o receituário. “Quanto é a paga?” pedi … fixou-me, mexeu o bigode, franziu o olho e perguntou para o gabinete: “ A conta deste moço, patrão?” apareceu o patrão “É o mesmo de sempre: uma vida bem vivida!”
“Sr. Zé do bigode fartaludo! Avie aquela receita do pastor da serra apaixonado! Ouvi dizer que estava a chegar, … não gosto de fazer esperar ninguém!”
Café sentimental
Sentamo-nos numa mesa, junto á vitrina, com vista para o mar e para a serra, e logo apareceu, o “garçon” refinado, de esplendorosas asas: “Eis o cardápio!”
A uma vista de olhos, algo me cativou; ela olhava, para cada sugestão trincando o lábio: “Esta malga com um amor quente” pedi, e anotou; “Eu quero uma caneca, mas gosto sempre da caneca bem quente; não gosto do amor morno, nem frio” pediu ela por trás da brochura, … sorriu e apontou “… boa escolha”. Saiu prontamente com o nosso pedido.
Ela acarinhava-me a mão, docemente, … eu desviava o olhar para o seu cabelo ondulado. “Um amor quente numa malga, e um amor quente numa caneca bem quente”, … irrompeu “… não bebam tudo duma só vez; beberiquem!” Puxei da carteira, “quanto é?” … silenciou-se … olhou para ela, … “uma vida!” paguei, olhando enciumado para o “garçon”.
Deu umas mexidelas com a colher, o amor ainda estava muito quente; saboreou com os lábios, subtilmente e pausadamente … o olhar caiu-me para o decote, … a língua limpou o resto que resistia na sua colher.
“O meu patrão, manda um bem-haja, e agradece a gorjeta! … manda estas bagas de paixão.” que raio de intrometido .
“De onde vens afinal?” murmurou levando uma baga á boca, e trincando-a; “ sou um rapazito dali da aldeia” respondi timidamente, dando uma golada na caneca. “E tu?” retorqui; … “sou duma aldeia vizinha, mas estudo na cidade! E tu, que fazes?”
Lá vinha aquele metediço, … “que tal? Está no ponto?”,… já começava a achar, que o moço se andava a atentar à moça, mas seguiu para uma mesa que acabava de ser preenchida por freguesia.
“Andei a estudar no seminário, e agora vou começar a trabalhar!” disse pegando na baga e petiscando-a, … o seu castanho mel, brilhando ao sol, invadia-me o diálogo, … ela movimentava os lábios e os dentes, musicalmente, … lambeu uma gota das bagas, que restava no dedo. “… não sou rapaz de estroina; sou mais comedido!” , … riu-se e mexeu os cabelos, … o olhar voltou a cair para o decote, … “gosto de ti!” deu um gole na caneca…
Silenciei, o murmurar do bar, o tilintar das canecas, o ordenar do patrão que se ouvia da copa, … e guardei o momento, … “alias, eu amo-te” e invadiu-me com uns lábios ainda húmidos de amor bem quente, …
O patrão olhava por cima do bar sorrindo, e ordenou ao “garçon”: “Limpa aquela mesa! Prepara os dois lugares, vem aí mais fregueses!”
A uma vista de olhos, algo me cativou; ela olhava, para cada sugestão trincando o lábio: “Esta malga com um amor quente” pedi, e anotou; “Eu quero uma caneca, mas gosto sempre da caneca bem quente; não gosto do amor morno, nem frio” pediu ela por trás da brochura, … sorriu e apontou “… boa escolha”. Saiu prontamente com o nosso pedido.
Ela acarinhava-me a mão, docemente, … eu desviava o olhar para o seu cabelo ondulado. “Um amor quente numa malga, e um amor quente numa caneca bem quente”, … irrompeu “… não bebam tudo duma só vez; beberiquem!” Puxei da carteira, “quanto é?” … silenciou-se … olhou para ela, … “uma vida!” paguei, olhando enciumado para o “garçon”.
Deu umas mexidelas com a colher, o amor ainda estava muito quente; saboreou com os lábios, subtilmente e pausadamente … o olhar caiu-me para o decote, … a língua limpou o resto que resistia na sua colher.
“O meu patrão, manda um bem-haja, e agradece a gorjeta! … manda estas bagas de paixão.” que raio de intrometido .
“De onde vens afinal?” murmurou levando uma baga á boca, e trincando-a; “ sou um rapazito dali da aldeia” respondi timidamente, dando uma golada na caneca. “E tu?” retorqui; … “sou duma aldeia vizinha, mas estudo na cidade! E tu, que fazes?”
Lá vinha aquele metediço, … “que tal? Está no ponto?”,… já começava a achar, que o moço se andava a atentar à moça, mas seguiu para uma mesa que acabava de ser preenchida por freguesia.
“Andei a estudar no seminário, e agora vou começar a trabalhar!” disse pegando na baga e petiscando-a, … o seu castanho mel, brilhando ao sol, invadia-me o diálogo, … ela movimentava os lábios e os dentes, musicalmente, … lambeu uma gota das bagas, que restava no dedo. “… não sou rapaz de estroina; sou mais comedido!” , … riu-se e mexeu os cabelos, … o olhar voltou a cair para o decote, … “gosto de ti!” deu um gole na caneca…
Silenciei, o murmurar do bar, o tilintar das canecas, o ordenar do patrão que se ouvia da copa, … e guardei o momento, … “alias, eu amo-te” e invadiu-me com uns lábios ainda húmidos de amor bem quente, …
O patrão olhava por cima do bar sorrindo, e ordenou ao “garçon”: “Limpa aquela mesa! Prepara os dois lugares, vem aí mais fregueses!”
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Olha olha ...
“O que fizeste hoje, pequeno?” meto-me com ele, … na sua vida …
“Olha olha, … “ balbucia ele, … “casa do ´vô, …, qelho, … ´á meio, … lalanja canininha, …” indiferentemente cansado, dedilhando uns Lego´s teimosos.
“Fizeste isso tudo?” questionando a sua veracidade.
“Xim! …” confirmando com a cabeça e o olhar de ar maroto e risonho, e aditando … “a tio, …a popó, … ´cola mana…”
Estava perplexo, com tantas actividades … os afazeres do rapaz, sem dúvida nenhuma mais de meio-dia de laboeira …
(cantarola uma música, distraidamente …)
“… e hoje?”
“pffffff! Olha olha, … a cão, … biqueta, … café popó ´vô, …” relata desinteressadamente, remexendo vezes sem conta nem contar, nos Lego´s.
“Pai! Olha olha!” puxa-me o dedo e a atenção, … algo que á primeira vista não consigo vislumbrar, … uma construção qualquer, … algo abstractamente montado, … esfrega os olhos e as narinas, … o cansaço anda por aí … um leitinho quente, uma botija de água quente, um abraço quente, e o sorriso, … quente.
“Olha olha, … “ balbucia ele, … “casa do ´vô, …, qelho, … ´á meio, … lalanja canininha, …” indiferentemente cansado, dedilhando uns Lego´s teimosos.
“Fizeste isso tudo?” questionando a sua veracidade.
“Xim! …” confirmando com a cabeça e o olhar de ar maroto e risonho, e aditando … “a tio, …a popó, … ´cola mana…”
Estava perplexo, com tantas actividades … os afazeres do rapaz, sem dúvida nenhuma mais de meio-dia de laboeira …
(cantarola uma música, distraidamente …)
“… e hoje?”
“pffffff! Olha olha, … a cão, … biqueta, … café popó ´vô, …” relata desinteressadamente, remexendo vezes sem conta nem contar, nos Lego´s.
“Pai! Olha olha!” puxa-me o dedo e a atenção, … algo que á primeira vista não consigo vislumbrar, … uma construção qualquer, … algo abstractamente montado, … esfrega os olhos e as narinas, … o cansaço anda por aí … um leitinho quente, uma botija de água quente, um abraço quente, e o sorriso, … quente.
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